Brasília – Grandes instituições financeiras brasileiras uniram forças para sustentar a autonomia do Banco Central (BC) após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em 18 de novembro de 2025. A mobilização, considerada rara no setor, surgiu em resposta a decisões do Tribunal de Contas da União (TCU) que sinalizavam possível revisão do ato do regulador.
Nota conjunta em defesa do BC
Em 5 de janeiro de 2026, entidades como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgaram comunicado público afirmando “plena confiança” nas decisões técnicas do BC e ressaltando que a independência da autarquia é “imprescindível”. O texto foi elaborado após o ministro do TCU Jhonatan de Jesus determinar inspeção no Banco Central e levar o assunto ao plenário da Corte.
Crise institucional
O embate ganhou destaque porque, pela primeira vez, TCU e Supremo Tribunal Federal (STF) cogitaram analisar o mérito de uma liquidação decretada pelo BC. Especialistas apontam risco de precedentes para ingerência externa na supervisão bancária, o que poderia afetar investimentos e custo do crédito.
Negociação para reduzir tensões
Em 12 de janeiro, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, o relator Jhonatan de Jesus e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, reuniram-se na sede da autarquia em Brasília. Ficou acertado que o TCU teria acesso total à documentação que embasou a liquidação, enquanto a Corte reconheceu que apenas o STF poderia, em tese, desfazer o ato.
No dia seguinte, o BC retirou recurso que levaria a inspeção ao plenário do TCU, gesto interpretado como tentativa de esfriar o conflito sem abrir mão da autonomia técnica. A auditoria, conduzida por unidade técnica do tribunal, deve durar cerca de um mês.
Repercussões políticas e econômicas
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, respaldou o Banco Central e classificou as suspeitas envolvendo o Master como “possivelmente a maior fraude bancária da história do país”. Já Galípolo assinou, em 13 de janeiro, manifesto internacional que destaca a importância da independência das autoridades monetárias e demonstra apoio ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, alvo de pressões nos Estados Unidos.
Imagem: Ilustração Gazeta do Povo – com DALL-e
Fraudes e perdas bilionárias
Segundo demonstrações financeiras de dezembro de 2024, o Banco Master possuía R$ 1,7 bilhão em ativo permanente, mas registrava R$ 21,9 bilhões em operações com risco de crédito. A liquidação levou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a acionar recursos para ressarcir milhares de investidores.
Analistas observam que o envolvimento do controlador do Master, Daniel Vorcaro, com figuras de diferentes correntes políticas ampliou a tensão. A apreensão de seu celular pela Polícia Federal durante as investigações é apontada como fator adicional de incerteza.
Embora o BC e o TCU tenham encontrado caminho para a inspeção, a crise permanece em aberto até a conclusão da auditoria e avaliação dos documentos que fundamentaram a intervenção.
Com informações de Gazeta do Povo
