Brasília – 17/02/2026, 20h12. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de quatro servidores da Receita Federal no inquérito das fake news. Eles são suspeitos de acessar irregularmente informações fiscais da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, além de dados de outros integrantes da Corte e seus familiares, para posterior divulgação à imprensa.
Segundo o STF, auditoria feita pelo Fisco identificou “diversos e múltiplos acessos ilícitos” aos sistemas internos sem justificativa funcional. A prática é investigada como possível violação de sigilo funcional.
Conexão com o caso Master
Os acessos teriam antecedido reportagens que detalharam a relação de ministros com o banco Master. O jornal O Globo informou que o patrimônio de Viviane Barci de Moraes subiu de R$ 24 milhões para R$ 79,7 milhões entre 2023 e 2024, um incremento de 232%, após o escritório dela fechar contrato de R$ 129 milhões com a instituição financeira.
Também vieram a público mensagens do empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, ao cunhado e operador Fabiano Zettel sobre pagamentos de R$ 35 milhões a um resort ligado à família do ministro Dias Toffoli. O veículo ainda publicou que Vorcaro encaminhou ao seu advogado prints de contratos com a advogada Roberta Rangel, ex-mulher de Toffoli.
Papel da PGR e da Receita
A operação foi solicitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou “exploração fragmentada e seletiva” de dados sigilosos de autoridades. Em janeiro, a Receita iniciou auditoria a pedido do STF para rastrear acessos nos últimos três anos. O órgão demitiu três servidores desde 2023 e aplicou sanções menores a outros quatro.
A Receita também verificou eventual consulta a dados do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e de seus parentes, mas não encontrou registros.
Imagem: Rosinei Coutinho
Medidas contra os investigados
Na operação desta terça-feira (17), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Os quatro servidores foram afastados, proibidos de acessar sistemas da Receita, tiveram passaportes cancelados e deverão usar tornozeleira eletrônica. Computadores, celulares e documentos recolhidos serão analisados por delegados que se reportam diretamente a Moraes.
Desconfiança sobre vazamentos da PF
Ministros do STF também suspeitam que informações sobre o caso Master tenham saído da Polícia Federal, insatisfeita com a supervisão do inquérito por Dias Toffoli. Relatório da PF que aponta transações do Master com empresas ligadas ao ministro é considerado nulo por alguns integrantes da Corte, por ter sido produzido sem prévia autorização judicial.
O inquérito sobre o Master foi redistribuído por sorteio ao ministro André Mendonça, que aguardará parecer da PGR antes de decidir sobre eventual investigação de Toffoli.
Com informações de Gazeta do Povo
