Brasília, 27 de fevereiro de 2026 — Lideranças do Centrão estão negociando com a oposição a derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que reduz as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Em troca, o bloco articula o esvaziamento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o Banco Master.
Como funciona o acordo
A proposta prevê que a oposição recue na pressão para instalar a CPMI, enquanto o Congresso votaria pela derrubada do veto presidencial à chamada dosimetria — mecanismo que recalcula as punições impostas aos envolvidos no 8 de janeiro. Para deputados e senadores do Centrão, o entendimento evitaria desgaste político em pleno ano eleitoral.
Resistência à CPMI
O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), lideram o movimento contrário à instalação da comissão. Eles avaliam que a investigação pode atingir parlamentares de vários partidos e também minar a imagem do Judiciário, especialmente do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, alvo de pedidos de impeachment no Senado.
Divisão na oposição
A oposição está fragmentada quanto à proposta. O deputado Zé Trovão (PL-SC) defende abrir mão, por ora, da CPMI para garantir a revisão das penas. Já Carlos Jordy (PL-RJ), autor do requerimento da comissão, insiste na investigação, argumentando que ela revelaria possíveis ligações financeiras entre o Banco Master e autoridades do STF.
Posição do Planalto e do PT
Aliados do governo e integrantes do PT preferem restringir qualquer apuração a comissões permanentes da Câmara. A avaliação é de que a CPMI poderia ser usada como palco para ataques ao Supremo em um momento de tensão institucional.
Imagem: Marcos Oliveira
Sem consenso, a negociação segue nos bastidores enquanto líderes partidários tentam conciliar interesses eleitorais e evitar novos focos de crise política.
Com informações de Gazeta do Povo
