A Polícia Federal prendeu preventivamente, nesta quarta-feira (4), o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A ordem de prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Esquema bilionário em investigação
Iniciada no fim de 2025, a Operação Compliance Zero apura fraudes estruturais no Banco Master. Segundo a PF, balanços eram maquiados com ativos inexistentes, posteriormente vendidos a outras instituições para mascarar prejuízos e enganar o mercado financeiro. O nome da operação faz referência à “integridade zero” atribuída ao banco.
Crimes atribuídos ao banqueiro
Os investigadores apontam Vorcaro como líder de uma organização dividida em núcleos responsáveis por:
- Fraudes contábeis bilionárias;
- Lavagem de dinheiro;
- Estrutura de intimidação que monitorava e perseguia ilegalmente jornalistas, críticos e autoridades.
Coincidência com a CPI do Crime Organizado
A prisão ocorreu no mesmo dia em que Vorcaro e o cunhado, Fabiano Zettel, deveriam depor na CPI do Crime Organizado. Ambos obtiveram salvo-conduto do STF para não comparecer, e a detenção foi interpretada por analistas como um recado institucional diante da pressão do Congresso.
Autoridades não foram alvo direto
O inquérito tramita no STF porque surgiu a menção a um deputado federal, mas nenhuma autoridade com foro privilegiado foi alvo nesta etapa. A CPI chegou a aprovar convites a pessoas ligadas a ministros do Supremo por relações contratuais familiares com o Banco Master, porém a operação atual concentrou-se no núcleo empresarial.
Imagem: Luiz SIlveira
Bloqueio de R$ 2,2 bilhões e possível delação
A Justiça bloqueou mais de R$ 2,2 bilhões pertencentes à família de Vorcaro. Especialistas avaliam que a prisão preventiva e o avanço das perícias em celulares do banqueiro aumentam a pressão por uma eventual delação premiada, que pode atingir figuras influentes em Brasília.
Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou publicamente.
Com informações de Gazeta do Povo
