A Polícia Federal (PF) afirma ter interrompido a apuração sobre o Banco Master assim que surgiram nomes com foro privilegiado, como determina a legislação. Ainda assim, documentos do inquérito vazados nesta semana expõem conversas e encontros do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o banqueiro Daniel Vorcaro, alvo central das investigações que levaram à liquidação da instituição financeira.
Segundo relatório encaminhado pela PF ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, Moraes e Vorcaro estiveram juntos pelo menos cinco vezes. A esposa do magistrado, advogada, também teria prestado serviços ao Banco Master.
Mensagens no dia da prisão
No dia 17 de novembro de 2023, data da primeira prisão de Vorcaro, a PF registrou uma troca de mensagens via WhatsApp entre o banqueiro e o ministro. Em um dos textos, o investigado escreveu: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Conforme a corporação, Moraes respondeu, mas o conteúdo foi enviado no formato de visualização única e desapareceu após ser lido.
Nessa mesma noite, às 22h, Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) enquanto tentava embarcar em um jato particular rumo a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O celular apreendido continha outro diálogo com o ministro, datado de 1º de outubro, também apagado.
Nota do Supremo
Questionada pela colunista Malu Gaspar, de O Globo, a assessoria de imprensa do STF declarou que “o ministro Alexandre de Moraes não recebeu essas mensagens referidas na matéria”, classificando a informação como “ilação mentirosa” e um novo ataque à Corte.
Imagem: Internet
Envolvimento de Dias Toffoli
O caso também alcançou o ministro Dias Toffoli. Relatórios apontam que ele possui participação em um resort no Paraná, parte do qual pertence a uma empresa ligada ao Banco Master. Após a revelação, Toffoli decidiu se afastar da relatoria do processo que tramita no Supremo.
Fachin distribuiu cópias do relatório aos demais ministros. Não está claro se o vazamento partiu da própria PF ou de alguém do tribunal.
Com informações de Metrópoles
