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Relatório indica uso de redes de operadoras para rastrear celulares em escala global

Empresas de vigilância estariam assumindo a forma de companhias de fachada para explorar falhas na infraestrutura mundial de telecomunicações e vigiar usuários de dispositivos móveis. A conclusão faz parte de um relatório do Citizen Lab, publicado nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026.

De acordo com o documento, os grupos exploram pontos de acesso mantidos por operadoras para ocultar a identidade de seus clientes – geralmente governos – e a origem dos ataques. O principal alvo é o conjunto de protocolos Signaling System 7 (SS7), utilizado por redes 2G e 3G, que não exige autenticação nem criptografia, permitindo a geolocalização de aparelhos a partir do roteamento de chamadas e mensagens.

Downgrade forçado e falhas no 4G/5G

Embora o protocolo Diameter tenha sido desenvolvido para proteger as redes 4G e 5G, os pesquisadores apontam que a implementação feita por diversas operadoras ainda apresenta brechas. Em vários ataques, os invasores conseguem forçar o sistema a retornar ao SS7, contornando camadas de segurança mais recentes para manter o acesso aos dados.

SIMjacker e mensagens invisíveis

Outro método citado é o SIMjacker, técnica que envia SMS invisíveis diretamente ao cartão SIM do alvo. As mensagens executam comandos silenciosos que transformam o telefone em um rastreador de localização em tempo real, sem qualquer notificação para o dono do aparelho.

Operadoras usadas como trânsito

As investigações identificaram três operadoras que funcionaram como pontos de passagem frequentes para a atividade: 019Mobile (Israel), Tango Networks U.K. (Reino Unido) e Airtel Jersey (Ilha de Jersey). Segundo o relatório, a infraestrutura dessas empresas foi usada para monitorar indivíduos de alto perfil, possivelmente por fornecedores de inteligência sediados em Israel.

Relatório indica uso de redes de operadoras para rastrear celulares em escala global - Imagem do artigo original

Imagem: Fah Studio

O pesquisador Gary Miller, um dos autores do estudo, disse ao TechCrunch que os casos detectados representam apenas “a ponta do iceberg” diante dos milhões de ataques que ocorrem globalmente. O Citizen Lab conclui que as operações são deliberadas, contam com financiamento robusto e demonstram a profunda integração de empresas de vigilância no ecossistema de sinalização móvel.

Com informações de Olhar Digital

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