Milhares de empregados da Samsung se reuniram nesta quinta-feira (23) no complexo industrial de Pyeongtaek, Coreia do Sul, para exigir ajustes na política de remuneração. O ato cobrou bônus mais altos e transparência nos critérios de pagamento, em meio ao crescimento da demanda por chips de memória impulsionado pela inteligência artificial.
Com faixas que diziam “tornem a remuneração transparente” e “removam os limites máximos dos bônus”, os trabalhadores pediram o fim do teto nos pagamentos variáveis. O sindicato que representa cerca de 74 mil funcionários calcula que aproximadamente 40 mil pessoas participaram do protesto. A polícia acompanhou a manifestação, mas não divulgou estimativa oficial de público.
A insatisfação ocorre enquanto a Samsung projeta lucro operacional recorde no primeiro trimestre, favorecida pela corrida global por infraestrutura de IA. Segundo representantes sindicais, os ganhos não são refletidos proporcionalmente nos salários e bônus. A empresa havia proposto parte da compensação em ações restritas, oferta rejeitada pelos trabalhadores.
Se não houver acordo, o sindicato ameaça paralisar a produção por até 18 dias a partir de 21 de maio. A entidade estima que uma greve dessa duração poderia provocar perdas superiores a 1 trilhão de won por dia (cerca de R$ 3,3 bilhões).
Concorrência e cenário global
O protesto ocorreu no mesmo dia em que a SK Hynix, principal rival da Samsung no segmento de memória, divulgou receita e lucro operacional recordes no primeiro trimestre, igualmente impulsionados pelo avanço da IA e pelos investimentos em data centers. Juntas, Samsung e SK Hynix respondem por cerca de dois terços da produção mundial de chips de memória.
Imagem: Kinek
Apesar do momento favorável, incertezas persistem. O conflito no Oriente Médio levantou preocupações sobre o fornecimento de hélio, gás essencial na fabricação de semicondutores. Executivos da SK Hynix, contudo, minimizaram impactos imediatos.
Com informações de Olhar Digital
