O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, pré-candidato à Presidência da República, ampliou nas últimas semanas o enfrentamento público ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevistas e eventos, o político do Novo afirmou que alguns ministros “não estão acima da lei”, defendeu investigações sobre membros da Corte e apresentou sugestões para alterar o processo de afastamento de magistrados.
Zema, que registrou sua pré-candidatura no ano passado, tem sido cotado por aliados de Flávio Bolsonaro como possível vice em uma chapa de direita. Apesar das especulações, ele vem se destacando como o único presidenciável a atacar abertamente o STF após a divulgação de mensagens que envolvem magistrados no chamado “caso Master”.
Críticas diretas aos ministros
Em entrevista à GloboNews, gravada antes do pedido do ministro Gilmar Mendes para incluí-lo no inquérito das fake news, Zema declarou que a crise atual expôs “pela primeira vez na história” uma ligação estreita entre ministros da Corte e “o maior chefe do crime organizado” do país. Na RedeTV, classificou o Supremo como “o grande causador de crises no Brasil” e disse que as condenações impostas aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro foram “desproporcionais” e representaram “um verdadeiro atentado à democracia”.
Propostas de mudanças estruturais
No Fórum da Liberdade, realizado em Porto Alegre, o pré-candidato sugeriu que o processo de impeachment de ministros do STF possa ser aberto por maioria simples do Senado, retirando do presidente da Casa o poder de barrar a iniciativa. A bancada do Novo, segundo ele, também planeja propor idade mínima de 60 anos para futuras indicações ao Supremo, o que limitaria a permanência dos nomeados a no máximo 15 anos, já que a aposentadoria compulsória ocorre aos 75 anos.
Zema ainda defendeu que parte das vagas seja destinada a juízes ou procuradores de carreira, com o objetivo de privilegiar experiência jurídica em detrimento de indicações estritamente políticas.
Imagem: Andressa Anholete
Disputa presidencial e o papel do Senado
Embora não exista garantia de que o ex-governador chegará à fase final da corrida presidencial de 2026, suas críticas e propostas ganharam destaque em um cenário que também renovará dois terços do Senado — órgão responsável por julgar eventuais processos de impeachment contra ministros do STF.
Assessores de Flávio Bolsonaro avaliam que o discurso de Zema ecoa o sentimento de parte do eleitorado de direita e pode reforçar a pressão por mudanças na Corte. Já o ex-governador sustenta que sua participação na campanha é “imperativa” para garantir a liberdade de debate sobre o Judiciário.
Com informações de Gazeta do Povo
