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Pesquisadoras da USP descobrem nova arqueia em vulcão ativo na Antártida

Uma equipe do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP) identificou uma nova espécie de arqueia em uma fumarola da Ilha Deception, vulcão ativo localizado na Antártida. O microrganismo, batizado de Pyroantarcticum pellizari, pertence à família Pyrodictiaceae e foi descrito a partir de amostras coletadas em 2014 durante expedição do Programa Antártico Brasileiro a bordo do Navio Polar Almirante Maximiano.

Coleta de amostras e análise genética

O material foi obtido em sedimentos expostos a mais de 100 °C, apesar do ambiente externo estar coberto de gelo. O DNA extraído permaneceu armazenado até ser novamente analisado com técnicas atuais de metagenome-assembled genome (MAGs), que permitem reconstruir genomas sem cultivo prévio em laboratório.

Segundo as pesquisadoras, a estratégia é crucial para organismos hipertermófilos — capazes de sobreviver acima de 60 °C — que raramente se desenvolvem em meios artificiais. A montagem resultou em genoma com menos de 10 % de contaminação e aproximadamente 97 % de pureza, padrão considerado de alta qualidade.

Equipe e homenagem

O trabalho foi liderado pela professora Amanda Bendia, especialista em ecologia microbiana de ambientes extremos. Participaram ainda a doutoranda Ana Carolina Butarelli e a pós-doutoranda Francielli Vilela Peres. A espécie recebeu o nome em homenagem à professora Vivian Pellizari, orientadora de Bendia no doutorado e pioneira no estudo de microrganismos extremófilos no Brasil.

Adaptada ao calor e a metais

A análise revelou genes associados à girase reversa — enzima que impede a desnaturação do DNA em altas temperaturas —, além de mecanismos para ciclagem de enxofre e nitrogênio, estruturas de cânulas e sistemas de resistência a estresse provocado por metais. Essas características ajudam a explicar a sobrevivência em condições extremas de temperatura, pressão e disponibilidade intermitente de energia.

Contexto antártico

A Antártida abriga quatro vulcões ativos, três no continente e um na Ilha Deception. Fumarolas da ilha ultrapassam 100 °C, temperatura que favorece arqueias hipertermófilas; nos vulcões continentais, o calor atinge cerca de 65 °C, considerado insuficiente para selecionar esse tipo de microrganismo.

Registro oficial e próximos passos

O genoma de Pyroantarcticum pellizari foi registrado no sistema internacional SeqCode, que regulamenta a nomenclatura de Archaea e Bacteria baseada em sequenciamento. As cientistas planejam retornar à Ilha Deception para novas coletas e tentativas de cultivo em laboratório.

Os resultados foram publicados na revista científica ISME Communications sob o título “Hot life in Antarctica: a novel metabolically versatile Pyrodictiaceae genus thriving at a volcanic-cryosphere-marine interface”.

Com informações de Olhar Digital

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