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Onda recorde de recuperações judiciais ameaça discurso econômico de Lula

Brasília — 28 de maio de 2026. O terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra na reta final sob o impacto do maior número de recuperações judiciais já registrado no país. Consultorias como RGF & Associados e Serasa Experian contabilizaram 5,3 mil empresas sob proteção da Justiça em 2025, alta de 24 % sobre o ano anterior e novo recorde histórico.

Escalada após ciclo de queda

Entre 2017 e 2022, o indicador vinha caindo, passando de 1.420 casos em 2017 para 833 em 2022. A tendência se inverteu a partir de 2023, primeiro ano do atual governo, com 1.405 pedidos. Em 2024, o total subiu para 2.273 e, em 2025, explodiu para 5.280 — crescimento de 276 % desde o início da gestão. Projeções de mercado apontam que até 8,3 mil empresas podem entrar em colapso em 2026.

Setores mais afetados

Varejo, vestuário, móveis e brinquedos — segmentos dependentes de crédito e do consumo das famílias — concentram a maior parte dos pedidos. O Grupo Pão de Açúcar (GPA) recorreu à recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,5 bilhões em dívidas, enquanto a Bombril busca proteger-se de um passivo estimado em R$ 2,3 bilhões. Brinquedos Estrela, Tok&Stok e Coteminas também enfrentam dificuldades semelhantes.

Na esfera estatal, os Correios somaram prejuízo de R$ 8,5 bilhões apenas em 2025 e recorreram a operações de crédito garantidas pelo Tesouro Nacional para manter investimentos.

Críticas da oposição

Parlamentares de oposição atribuem o quadro a juros elevados, aumento de gastos públicos e insegurança regulatória. O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que “a inadimplência e as recuperações judiciais batem recordes” devido ao “elevado custo do dinheiro e à irresponsabilidade fiscal”. Já o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) declarou que “é mais fácil uma empresa sobreviver à pandemia do que a um governo petista”.

Análise de especialistas

Para o consultor Vandyck Silveira, o governo acelerou um modelo de gestão populista que agrava o desequilíbrio fiscal. O conselheiro de empresas Ismar Becker prevê juros “em patamar absurdo” e inflação próxima de 5 %, advertindo que o próximo presidente terá de enfrentar um “cenário desesperador” caso o ajuste fiscal não seja realizado.

Apesar dos dados negativos, o Palácio do Planalto sustenta que a economia brasileira vive “ótimo momento”, apoiando-se na geração de empregos e na inflação sob controle relativo — argumentos agora questionados pela escalada de recuperações judiciais e pela fragilidade financeira de empresas tradicionais.

Com informações de Gazeta do Povo

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