Brasília — A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) tornou-se um dos principais instrumentos do Estado brasileiro no enfrentamento às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Formada por policiais federais, civis, militares, penais, além de setores de inteligência e secretarias estaduais de segurança, a estrutura atua de forma permanente e coordenada em todo o país.
Integração inédita
O modelo ganhou força nos últimos anos, período em que PCC e CV ampliaram a presença para fora dos presídios e passaram a disputar rotas internacionais de cocaína, fronteiras estratégicas e mercados financeiros paralelos. Para as autoridades, nenhuma instituição isolada consegue conter grupos com essa capilaridade, o que levou à criação de centros de integração estaduais sob a sigla Ficco.
Operações recentes
Em março deste ano, uma operação nacional mobilizou forças de segurança em 15 unidades da Federação. Foram cumpridos mais de 100 mandados de prisão e 181 de busca e apreensão contra suspeitos de tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro e disputas territoriais ligadas às facções.
Já neste mês, a Polícia Federal coordenou a Operação Força Integrada II, que expediu 263 mandados judiciais em vários estados e resultou na prisão de 82 pessoas apontadas como integrantes de organizações criminosas.
Alvos além das drogas
As investigações miram, além do tráfico, empresas de fachada, fintechs, postos de combustíveis, reciclagem, fundos de investimento e plataformas digitais usadas para ocultar patrimônio. Relatórios de inteligência penitenciária ligados ao Ministério da Justiça mapeiam ao menos 88 facções ativas no território nacional — muitas inspiradas nos modelos de PCC e CV.
A troca de informações entre presídios, unidades de inteligência financeira e delegacias permite que dados colhidos em um estado auxiliem na localização de operadores financeiros ou lideranças criminosas em outra região.
Imagem: Internet
Pressão internacional
A atuação integrada ganhou novo peso nesta semana, quando os Estados Unidos incluíram PCC e Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida amplia a pressão sobre as finanças dos grupos e reforça o caráter transnacional do combate ao crime organizado brasileiro.
Para investigadores, o desafio vai além da prisão de traficantes: é preciso desarticular a rede descentralizada que movimenta recursos em diversos estados e mantém conexões fora do país.
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Com informações de Metrópoles
