Em meio à aproximação das eleições de 2026, projetos que mobilizam o eleitorado – como a PEC da Segurança Pública, a redução da maioridade penal e o fim da jornada 6×1 – acumulam discursos, mas avançam pouco na Câmara dos Deputados e no Senado. Parlamentares priorizam a retórica de campanha e evitam votar temas considerados polêmicos ou capazes de gerar desgaste.
Segurança, trabalho e STF dominam o debate
No topo da lista de assuntos mais mencionados estão a segurança pública, a proposta de emenda constitucional que diminui a idade mínima para responsabilização penal e pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Também ganham espaço a regulamentação do trabalho de motoristas de aplicativos e o fim do regime de seis dias de trabalho por um de descanso.
Por que as propostas não saem do papel?
Parte dos projetos é apresentada como estratégia eleitoral, sem base de votos suficiente para aprovação. Os presidentes da Câmara e do Senado detêm o poder de incluir ou segurar matérias na pauta. Quando o tema ameaça provocar desgaste, costuma permanecer engavetado. Além disso, o rito legislativo brasileiro é longo, o que reduz a chance de mudanças profundas em período pré-eleitoral.
Impacto do calendário eleitoral
Deputados e senadores já atuam em “modo campanha” e evitam apoiar medidas impopulares. Festividades nacionais, como as festas juninas no Nordeste, e eventos esportivos, a exemplo da Copa do Mundo, reduzem a presença em plenário e prolongam a tramitação.
Estrategia do governo Lula
O Palácio do Planalto concentra esforços em propostas trabalhistas e de segurança para se aproximar de sindicatos e trabalhadores urbanos. Entre as prioridades estão o fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública, que daria ao governo federal maior poder de atuação contra o crime organizado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu recriar o Ministério da Segurança Pública caso a PEC seja aprovada, mas o texto ainda aguarda despacho no Senado.
Imagem: Bruno Spada
Morosidade como ativo político
Mesmo sem votação, os temas rendem “dividendos políticos”. O simples protocolo de uma CPI ou a defesa de uma pauta controversa alimenta a militância e mantém o assunto em evidência para a campanha. Assim, a lentidão passa a ser estratégica: o debate segue vivo como promessa ou arma eleitoral, sem prazo para ser transformado em lei.
As discussões devem continuar até o início oficial do período eleitoral, deixando em segundo plano propostas de maior impacto para a população.
Com informações de Gazeta do Povo
