Brasília — O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se na noite de terça-feira (9/6) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na residência oficial da Casa, a fim de frear quatro propostas que, segundo cálculos da equipe econômica, podem custar R$ 276 bilhões aos cofres públicos.
Pautas em discussão
Durante o encontro, que também contou com a presença dos ministros José Guimarães (Relações Institucionais) e Bruno Moretti (Planejamento), foram abordados os seguintes projetos:
- Renegociação de dívidas rurais — Já aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e prevista para votação no plenário nesta quarta-feira (10/6). Impacto estimado: R$ 120 bilhões em dez anos.
- Aposentadoria integral para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias — PEC aprovada pela Câmara em 2023 e aguardando análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Custo projetado: R$ 99 bilhões.
- Novo piso salarial para médicos e cirurgiões-dentistas — Tramita em caráter terminativo na Comissão de Assuntos Sociais; se aprovado, segue direto para a Câmara. Estimativa de impacto: R$ 47 bilhões.
- Ampliação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) — Proposta de Emenda à Constituição que aumenta a fatia da União para prefeituras. A Fazenda calcula gasto adicional de R$ 10 bilhões já em 2026.
Sinal de confiança
Após a conversa, Durigan afirmou confiar na condução de Alcolumbre: “O presidente Davi tem sido muito correto com a equipe econômica e com a pauta do Ministério da Fazenda. Confio na sua condução e no entendimento do momento sensível que a economia brasileira atravessa”.
Clima de tensão
A articulação ocorre em meio a atritos entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado. O desgaste começou após a Casa rejeitar a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal (STF). A relação azedou novamente diante da PEC que extingue a chamada “escala 61”, cuja votação Alcolumbre resiste em acelerar.
Imagem: Internet
Ao tentar conter o avanço das chamadas “pautas-bomba”, o Ministério da Fazenda busca evitar pressões adicionais sobre as contas públicas em um cenário econômico considerado delicado.
Com informações de Metrópoles
