Brasília – O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, reiterou nesta sexta-feira (12) críticas à relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Mesmo assim, afirmou que, se o segundo turno de 2026 colocar Flávio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ficará “ao lado do senador”.
Zema falou durante sabatina promovida pelo canal Brasil Paralelo no YouTube. “Teria como eu aplaudir alguém que se aproxima do maior banqueiro bandido do Brasil? Para mim, quem anda com bandido merece ser visto com cautela”, disse, mantendo o tom adotado em declarações anteriores.
Desentendimento interno no Novo
Segundo o ex-governador, a posição crítica provocou desconforto dentro do Partido Novo, que mantém alianças com o PL em vários estados, sobretudo no Sul. Zema relatou sentimento de que a legenda foi “passada para trás”, já que, segundo ele, as coligações foram firmadas sob a garantia de que não havia ligação de aliados com Vorcaro.
Apesar do atrito, o pré-candidato afirmou que não se retratará: “Se critico ministros do STF, não vou poupar outros políticos”.
Negociação para filme de Bolsonaro
Reportagem do site The Intercept Brasil publicada em maio apontou que Flávio Bolsonaro teria articulado investimento de R$ 134 milhões de Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Do total, cerca de R$ 61 milhões teriam sido repassados entre fevereiro e maio de 2025. O senador confirmou ter buscado recursos, mas negou irregularidades. Em 1º de junho, contudo, afirmou não ter “pedido dinheiro para ninguém”, classificando o aporte como “dinheiro privado para filme privado”.
Apoio condicionado ao embate com o PT
Mesmo reforçando as críticas, Zema declarou que eventuais divergências internas não superarão o objetivo de derrotar o PT. “Posso discordar de alguma coisa do Flávio, mas discordo totalmente do PT”, resumiu.
Imagem: Marcelo Camargo
Doação ao Novo em 2022
Zema também comentou a doação de R$ 1 milhão feita por Daniel Vorcaro ao Novo em 2022. O ex-governador disse não haver contrapartida e argumentou que, por se tratar de um partido pequeno, o empresário poderia ter contribuído com montante maior. “Ele doou pouco porque sabia da nossa postura contra corrupção”, afirmou.
As declarações reforçam a tentativa de Zema de se manter crítico a aliados envolvidos em suspeitas, sem comprometer a possibilidade de unir a direita em torno de um único nome no segundo turno presidencial.
Com informações de Gazeta do Povo
