Um vídeo publicado nas redes sociais colocou a internacionalista Jéssika Borges, de 33 anos, no centro das discussões sobre trabalho rural remunerado no Tocantins. A gravação, feita em Almas, no sudeste do estado, revela que a jovem recebe R$ 0,16 por cada saco de carvão ensacado ao lado do pai. Desde a postagem, em 25 de junho de 2026, o conteúdo ultrapassou 13,7 milhões de visualizações e rendeu à autora mais de 130 mil seguidores.
Nascida em Almas, Jéssika passou 14 anos na Europa, onde concluiu o curso de Ciências Policiais e Relações Internacionais em Portugal. De volta ao Brasil, enfrentou o luto pela morte do noivo e o diagnóstico de lúpus. Para evitar a depressão, decidiu ocupar o tempo ajudando o pai, Narcizo Marcos, na carvoaria da família. “Todo meu tempo livre eu tentava ocupar para não ficar deprimida em casa”, contou.
Dupla jornada
Pela manhã e início da tarde, Jéssika trabalha no setor administrativo de uma empresa. No restante do dia, dedica-se ao ensaque de carvão, atividade que considera complemento de renda e apoio direto à família. “Não tenho personagem, mostro o que faço no dia a dia”, diz.
Como funciona o pagamento
O ensaque é realizado em trios: duas pessoas enchem os sacos e uma faz o grampeamento. O valor total pago por unidade é de R$ 0,50, dividido entre os três trabalhadores, o que resulta nos R$ 0,16 por pessoa que viralizaram. Grupos experientes costumam produzir entre 1.000 e 1.200 sacos por dia, gerando uma diária que varia de R$ 120 a R$ 160 para cada integrante — acima da média regional, estimada entre R$ 70 e R$ 100.
Fiscalização do trabalho
Órgãos do Ministério do Trabalho e Emprego monitoram rotineiramente carvoarias, lavouras e outras frentes produtivas. Durante as inspeções, são analisados itens como alojamento, água potável, condições sanitárias, jornada e segurança. Quando identificadas irregularidades, a equipe pode autuar empregadores, resgatar trabalhadores e encaminhar relatórios ao Ministério Público do Trabalho.
Imagem: Internet
A jovem afirma que decidiu ajudar o pai após vê-lo contratar trabalhadores temporários durante um feriado. “Ele disse que me pagaria o mesmo que pagava aos rapazes. Trabalhei o dia inteiro”, lembrou.
Apesar da visibilidade alcançada, Jéssika mantém o foco na rotina que, segundo ela, ajudou na reconstrução pessoal após as perdas recentes. “A vida continua. Se não nos apegarmos às coisas importantes que ficam, ficamos paralisados pela dificuldade”, concluiu.
Com informações de G1
