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Governo e bancada do agro continuam sem acordo sobre alcance da renegociação de dívidas rurais

Uma nova rodada de negociações realizada na noite de quarta-feira (8/7) na Residência Oficial da Câmara dos Deputados terminou sem consenso entre o governo federal e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) sobre a amplitude da renegociação de dívidas do setor rural.

Participaram do encontro o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente da FPA, Pedro Lupion (Republicanos-PR), e o ministro da Fazenda, Dario Durigan. O grupo discutiu o Projeto de Lei 5.122/2023, aprovado no Senado em 10 de junho e atualmente em análise na Câmara, que cria mecanismos para refinanciar passivos do agronegócio com recursos do Fundo Social do pré-sal.

Proposta do governo

Preocupado com o impacto fiscal — estimado pelo Ministério da Fazenda em R$ 140 bilhões ao longo de 13 anos —, o Executivo sugeriu editar uma Medida Provisória (MP) com parâmetros mais restritivos. Entre os pontos apresentados estão:

  • Limite de até R$ 8 milhões por operação renegociada;
  • Foco exclusivo em produtores afetados por eventos climáticos, sem considerar perda de renda por outros motivos;
  • Taxas de juros entre 6% e 12% ao ano;
  • Prazo máximo de pagamento de oito anos, com dois anos de carência.

O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), reforçou na terça-feira (7/7) a posição do Planalto: “As medidas devem atender apenas e somente os produtores e produtoras que foram atingidos pelos eventos climáticos”.

Contraproposta da FPA

A bancada do agro defende a manutenção do texto enviado pelo Senado, que prevê:

  • Prazo de até dez anos para quitação das dívidas;
  • Juros inferiores aos sugeridos pelo governo;
  • Preservação das condições de enquadramento e das fontes de recursos originais;
  • Ampliação da cobertura do fundo garantidor destinado às operações.

Após receber a minuta da MP, a FPA encaminhou uma contraproposta ainda na terça-feira, mas não houve avanço.

Risco de veto e judicialização

O impasse se arrasta há meses. No início de junho, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), deixou reunião no Ministério da Fazenda sem acordo. Horas depois, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), levou o PL 5.122/2023 ao plenário, que aprovou o texto em poucos minutos.

Dentro do governo, já se admite que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá vetar total ou parcialmente o projeto caso ele seja mantido pela Câmara. Há ainda a possibilidade de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar dispositivos considerados inconstitucionais ou de alto impacto nas contas públicas.

Sem entendimento, as negociações devem continuar nos próximos dias, enquanto o prazo para votação na Câmara avança e cresce a pressão de produtores rurais por uma definição.

Com informações de Metrópoles

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