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PGR e PF indicam que não negociarão nova delação com Daniel Vorcaro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) passaram a tratar como encerrada a possibilidade de um novo acordo de colaboração premiada com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master. Segundo fontes ligadas ao caso, integrantes dos dois órgãos concluíram que não há mais interesse em reabrir tratativas, depois de terem rejeitado duas propostas apresentadas pela defesa do empresário.

Declaração pública da PF

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou na semana passada que a corporação “não vê espaço” para seguir negociando com Vorcaro, posicionamento que consolidou a tendência de arquivar o assunto. A avaliação interna é de que outras pessoas investigadas no chamado “caso Master” podem oferecer informações mais relevantes.

Outros possíveis colaboradores

A PF já recusou a proposta de delação do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. O pedido apresentado pelo cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel — apontado como operador financeiro do grupo — ainda é analisado, mas tende a ser rejeitado. Permanecem em avaliação nomes como o pai e o primo do ex-banqueiro, Henrique e Felipe Vorcaro, além de João Carlos Mansur, fundador do fundo Reag, suspeito de ter atuado com o Master no gerenciamento de recursos via empresas de fachada.

Por que as tentativas fracassaram

Duas propostas de Vorcaro foram descartadas: a primeira, em maio, resultou na troca de advogados; a segunda, entregue em junho, foi considerada repetitiva e sem provas novas. A defesa ofereceu devolver R$ 40 bilhões em dez anos, enquanto PGR e PF exigiam R$ 60 bilhões à vista. Investigadores apontam ainda que parte dos relatos se baseava em testemunhos indiretos.

Papel decisivo da PGR

No modelo legal, a PF reúne evidências e avalia a utilidade da colaboração, mas cabe à PGR dar o aval final antes de submeter qualquer acordo ao ministro relator no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. De acordo com o constitucionalista Alessandro Chiarottino, a Procuradoria só aceita delações que apresentem confissão, fatos inéditos comprováveis e garantia de reparação dos prejuízos — critérios que, na visão dos órgãos, não foram atendidos por Vorcaro.

Vazamentos e cadeia de custódia

A PF reforçou controles internos após identificar possíveis vazamentos de provas, inclusive para a CPMI do INSS. Servidores foram alvo de buscas, e o perito João Cláudio Nabas foi afastado por suspeita de ter produzido dossiê envolvendo ministros do STF. A preocupação é preservar a validade das investigações contra alegações futuras de nulidade.

Transferência para a Papuda

Após a segunda recusa de delação, Vorcaro deixou a cela especial na Superintendência da PF em Brasília e foi transferido, por decisão de Mendonça, para a ala conhecida como “Papudinha”, no Complexo da Papuda. O ministro determinou incomunicabilidade entre investigados da operação Compliance Zero, que também mantém preso no mesmo complexo o ex-presidente do BRB.

Vorcaro é investigado por supostamente liderar esquema que teria provocado prejuízo bilionário a correntistas, investidores e fundos de previdência. A PF já apreendeu oito celulares do ex-banqueiro, cerca de 120 dispositivos eletrônicos e milhares de documentos, reduzindo a dependência de uma colaboração formal para avançar nas apurações.

Com informações de Gazeta do Povo

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