O governo federal articula um empréstimo de R$ 7 bilhões com um consórcio de bancos internacionais para reforçar o caixa dos Correios, que atravessam forte crise financeira. A operação será liberada em duas parcelas — uma ainda em 2026 e outra no próximo ano — deixando parte do pagamento para a gestão que assumirá a Presidência em 2027.
Prejuízos recorrentes e falta de dividendos
A estatal não distribui dividendos à União desde maio de 2022, quando transferiu R$ 310,8 milhões ao Tesouro Nacional. De lá para cá, outras empresas públicas repassaram R$ 255,9 bilhões aos cofres federais, enquanto a companhia postal acumula déficits sucessivos.
No segundo trimestre de 2026, o prejuízo atingiu R$ 2,39 bilhões, elevando a perda semestral a R$ 5,55 bilhões. Em 2025, o resultado negativo recorde foi de R$ 8,5 bilhões, triplicando o montante registrado no ano anterior. Apenas no primeiro trimestre deste ano, o rombo somou R$ 3,16 bilhões.
Caixa limitado
As demonstrações financeiras mais recentes indicam disponibilidade de R$ 4,9 bilhões em caixa e aplicações. O valor, contudo, é insuficiente para sustentar as operações sem novos aportes, segundo a própria administração.
Fatores que pressionam as contas
Os Correios atribuem a deterioração dos resultados à queda das receitas de serviços postais tradicionais, ao aumento dos custos operacionais, às provisões para passivos judiciais, à concorrência no setor logístico e ao custo de manter a rede necessária para o serviço postal universal. Hoje, cerca de 71% das localidades atendidas operam sem lucro.

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Planos para reduzir despesas e ampliar receitas
Entre as medidas já em curso, a empresa prevê o fechamento de até mil agências deficitárias, a venda de imóveis e programas de demissão voluntária. Além disso, recebeu autorização do governo para atuar na comercialização de seguros, títulos de capitalização e serviços de telefonia móvel como operadora virtual.
Mesmo com essas iniciativas, a crise de liquidez levou a estatal a buscar o novo financiamento, cujo cronograma faz com que parte da fatura recaia sobre a próxima administração federal.
Com informações de Gazeta do Povo
