Sergey Cherkasov, 38 anos, apontado por autoridades do Brasil, Holanda e Estados Unidos como agente de inteligência militar da Rússia, relatou ter sido ameaçado por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) no presídio federal de Brasília. O russo está custodiado desde 2022 e pediu para cumprir a pena em isolamento, alegando risco à própria vida após um tumulto no pátio que deixou outro detento ferido.
Segundo relatório oficial, o assédio começou depois da publicação de uma reportagem nacional sobre seu caso. Cherkasov afirmou sofrer pressão psicológica, incluindo a retirada de revistas, palavras cruzadas e cartas escritas em russo. Ele também reclamou da pouca incidência de luz solar na cela e da redução da iluminação artificial, fatores que, segundo ele, prejudicam a leitura.
Para tentar recuperar o material de leitura, o preso iniciou uma greve de fome. Ainda de acordo com seus relatos, desde a transferência para Brasília não consegue falar diretamente com a mãe, pois não há tradutores oficiais para intermediar chamadas ou traduzir correspondências para o português.
Cherkasov viveu no Brasil sob a identidade falsa de “Victor Muller Ferreira”, supostamente nascido em Niterói (RJ). A documentação brasileira lhe permitiu circular por diversos países e quase lhe garantiu um estágio no Tribunal Penal Internacional, em Haia, onde pretendia acessar investigações sobre crimes de guerra.
O Ministério da Justiça determinou a expulsão de Cherkasov, com proibição de retorno ao país por 30 anos. A medida, contudo, só será aplicada depois do término da pena ou por decisão judicial. Há ainda um impasse diplomático: os Estados Unidos pedem a extradição do russo por crimes cometidos em território americano, enquanto o governo brasileiro mantém o foco em enviá-lo para a Rússia.

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Dentro do presídio, o detento relata dores articulares e aguarda atendimento odontológico emergencial. A defesa tenta restituir seus pertences e garantir condições adequadas de encarceramento.
Com informações de Gazeta do Povo
