','

'); } ?>

Vida permanente na Lua pode afetar sono, humor e cognição, dizem especialistas

A ambição da NASA de manter seres humanos na superfície da Lua a partir de 2032 não envolve apenas obstáculos de engenharia. Neurocientistas e psiquiatras consultados pela revista Newsweek afirmam que o isolamento, o confinamento e a ausência de estímulos naturais podem desencadear mudanças profundas no funcionamento mental dos futuros colonos lunares.

Programa prevê base contínua no Polo Sul

Em maio, a agência norte-americana divulgou um roteiro em três fases para seu Programa de Base Lunar. A etapa final, marcada para ocorrer no início da próxima década, prevê presença humana sustentada próximo ao Polo Sul do satélite.

A própria NASA reconhece que os efeitos psicológicos de missões além da órbita baixa da Terra são motivo de preocupação. A agência aponta que isolamento prolongado e espaços limitados podem reduzir o desempenho cognitivo e alterar o comportamento.

Dados da Estação Espacial Internacional

Um estudo liderado pela NASA e publicado em novembro de 2024 na revista Frontiers in Physiology avaliou astronautas que passaram seis meses na Estação Espacial Internacional (ISS). Os resultados mostraram períodos de queda na velocidade de processamento, na atenção e na memória de trabalho, mesmo com um ambiente projetado para mitigar esses problemas. Fora da órbita terrestre, implementar sistemas de apoio semelhantes tende a ser ainda mais difícil.

“Câmara definitiva de privação sensorial”

Para o psiquiatra e neurocientista Dave Rabin, autor de A Simple Guide to Being Alive, viver na Lua submeterá o sistema nervoso humano a uma pressão inédita. Ele lembra que a espécie evoluiu cercada por luz solar, gravidade terrestre, paisagens naturais e interação social. A falta prolongada desses elementos pode favorecer insônia, ansiedade, depressão e irritabilidade.

Rabin classifica um assentamento lunar como “a câmara definitiva de privação sensorial com vista”. Segundo ele, a gravidade reduzida interfere em equilíbrio, circulação, qualidade do sono e orientação espacial, fatores que indiretamente afetam cognição e humor. “O corpo lembra da Terra mesmo quando a mente tenta partir”, resume.

Monotonia e identidade

Matt Grammer, supervisor de aconselhamento clínico e fundador da Therapy Training, reforça que clima, vegetação e alternância de dias são importantes na regulação emocional. Sem variações naturais, moradores de uma colônia lunar podem recorrer a estímulos artificiais para evitar sensação de vazio.

Vida permanente na Lua pode afetar sono, humor e cognição, dizem especialistas - Imagem do artigo original

Imagem: IA via ChatGPT/Olhar

Já Sam Zand, psiquiatra e diretor-executivo da Anywhere Clinic, destaca que preservar conexões humanas será decisivo. Ele compara a futura vida na Lua a expedições polares: “Nossos corpos se adaptam, mas não há garantia de que a psique acompanhe”. Para Zand, habitats lunares precisarão replicar aspectos da Terra para manter os residentes ligados a algo maior que eles próprios.

Capacidade de adaptação

Apesar dos alertas, os especialistas lembram que a espécie humana possui forte capacidade de adaptação. Rabin avalia que, com o tempo, pode surgir uma nova identidade cultural, moldada pela distância do planeta natal – um processo potencialmente fascinante, porém solitário e desestabilizador.

À medida que a NASA avança nos preparativos para a base permanente, o desafio vai além de garantir sobrevivência física: será preciso proteger a sensação de humanidade em um ambiente radicalmente diferente da Terra.

Com informações de Olhar Digital

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *