O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou como “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis” as afirmações feitas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção nacional do PL, realizada no sábado, 25 de julho. Em entrevista exibida nesta segunda-feira (27), o chanceler afirmou que o governo brasileiro solicitará esclarecimentos formais a Buenos Aires.
Vieira informou que o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para manifestar a repulsa do Palácio do Planalto e cobrar justificativas. Paralelamente, o embaixador do Brasil na capital argentina, Julio Bitelli, foi chamado a Brasília para relatar a situação das relações bilaterais.
Segundo o ministro, a retirada de embaixadores “é um passo de grande gravidade” e não está, por ora, nos planos. “Todo o episódio é extremamente grave e inaceitável, mas a diplomacia se faz por meio do diálogo”, declarou.
Durante discurso de cerca de 30 minutos na convenção, Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de “lixo careca”. O líder argentino também disse que a América Latina vive o avanço de governos de direita e citou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como parte desse movimento.
Parceria econômica permanece relevante
Apesar do desgaste diplomático, Brasil e Argentina mantêm forte integração comercial. A nação vizinha é o terceiro maior parceiro do Brasil, atrás de China e Estados Unidos. Em 2025, as exportações brasileiras ao mercado argentino somaram US$ 18,1 bilhões, alta de 31,4 % sobre o ano anterior, o que representou 5,2 % de todas as vendas externas do país — maior participação desde 2018.

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Os principais produtos embarcados incluem veículos de passeio, caminhões, autopeças e itens da indústria de transformação, segmentos impulsionados pelo aumento da demanda argentina.
Vieira reforçou que, mesmo diante da tensão, o objetivo é “preservar os canais de entendimento” para não comprometer a cooperação econômica entre os dois maiores mercados do Mercosul.
Com informações de Gazeta do Povo
