São Paulo — A Justiça homologou nesta semana o acordo de colaboração premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, apontado como operador financeiro do esquema de corrupção que levou o Banco Central a liquidar o Banco Master em novembro de 2025.
Movimentação em espécie
De acordo com o depoimento de Freixo, entre 2020 e 2025 ele transportou cerca de R$ 1,3 bilhão em dinheiro vivo dentro de malas compradas em grande quantidade. A frequência das aquisições era tanta que a própria fabricante passou a vender os produtos diretamente ao empresário. As bagagens eram entregues a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ou a motoristas indicados pelo grupo. Freixo declarou não saber quem recebia os valores finais.
Parte desse montante — US$ 12,3 milhões, o equivalente a cerca de R$ 69 milhões — foi destinada à produtora do filme “Dark Horse” por meio do fundo Havengate Development Fund, sediado no Texas. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na quinta-feira (10) para investigar o financiamento da obra.
No mesmo dia, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comentou a operação: “Podem revirar do avesso, não tem nada de dinheiro público neste filme. O que tem é interesse político porque ultrapassamos Lula e vamos vencer a eleição”.
Carreira no sistema financeiro
Nascido em Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais, Freixo começou a trabalhar aos 14 anos como office-boy do Banco Nacional. Formou-se em Administração de Empresas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e, em 1983, tornou-se operador de crédito rural na mesma instituição. Passou ainda pelo Banco do Brasil.
A trajetória inclui cargos de destaque no Banco Garantia, onde chegou a vice-presidente, e no Credit Suisse, responsável pela estruturação da tesouraria internacional. Deixou o Credit Suisse na década passada, após quase 30 anos somados nas duas casas.
Grupo Entre e Entrepay
Em 2016, fundou o Grupo Entre Investimentos e Participações, especializado em fundos, precatórios e direitos creditórios. Seis anos depois, comprou a operação da Global Payments no Brasil e lançou a Entrepay, plataforma B2B que fornece infraestrutura de pagamentos a empresas.

Imagem: Internet
Autorizada como credenciadora pelo Banco Central em 2024, a Entrepay registrou movimentação de R$ 12,8 bilhões naquele ano e firmou parcerias com BNB, Banpará e Banco da Amazônia. O ecossistema do grupo passou a englobar Leads Securitizadora, Pmovil, WMoney, Octa SCD (ex-Credihome), Acqio, além de participações no Linked Gourmet e nas versões digitais das revistas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro.
Em março de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Entrepay e de empresas coligadas, determinando a indisponibilidade dos bens de Freixo.
Investigações em curso
Freixo foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em janeiro de 2026 para apurar fraudes envolvendo o Banco Master. A defesa de Daniel Vorcaro indicou que deve contestar a delação do operador por, supostamente, repetir informações já apresentadas e recusadas em acordos anteriores.
Procurado, o advogado de Antônio Carlos Freixo Júnior, Marco Petrelluzzi, disse não poder comentar o caso devido ao sigilo judicial.
Com informações de Gazeta do Povo
