A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, que a crise de confiabilidade enfrentada pelo Poder Judiciário é “séria” e “grave”, e precisa ser encarada pelos próprios juízes. A declaração foi feita durante palestra na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.
“A crise de confiabilidade é séria, grave e precisa ser reconhecida, não apenas por nós, juízes e juízas”, declarou a ministra, acrescentando que espera ver jovens interessados na carreira da magistratura, apesar das dificuldades da função. Aos 72 anos, ela lembrou ter vivido momentos “mais alegres” como advogada do que em duas décadas na judicatura, mas ressaltou a relevância do Judiciário para a sociedade.
Cármen Lúcia é relatora do Código de Ética que está sendo elaborado para os integrantes da Corte, iniciativa anunciada pelo presidente do STF, Edson Fachin, em meio às repercussões do caso Banco Master. A ministra observou que a desconfiança na Justiça também se manifesta em outros países. “Há equívocos e erros que precisam ser corrigidos, mas existe um movimento internacional de questionamento aos tribunais; sem Judiciário forte, o direito fica fragilizado”, afirmou.
Declarações de Fachin
Mais cedo, também nesta sexta-feira, Fachin reconheceu publicamente que o STF vive uma crise institucional e defendeu autocontenção como caminho para enfrentar a desconfiança popular. “Estamos imersos em uma crise que precisa ser enfrentada com olhos de ver e ouvidos de ouvir”, disse o presidente do tribunal.
Caso Banco Master
A tensão no Supremo se intensificou após o ministro Dias Toffoli deixar a relatoria do inquérito sobre o Banco Master, depois de a Polícia Federal localizar menções a seu nome no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição. A Corte divulgou nota em defesa do magistrado, afastando a hipótese de impedimento ou suspeição.
Outro ponto de pressão envolve contrato de R$ 129 milhões assinado pelo escritório da família do ministro Alexandre de Moraes com o Banco Master por três anos. Tanto Moraes quanto Toffoli negam irregularidades.
Imagem: Victor Pite
CPI do Crime Organizado
No Senado, o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), sugeriu o indiciamento de Toffoli, Moraes, do ministro Gilmar Mendes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por crime de responsabilidade. O parecer foi rejeitado pela comissão, o que levou Gilmar a acionar a PGR contra Vieira por suposto abuso de autoridade. Em sessão da Segunda Turma, Gilmar criticou o senador, enquanto Toffoli defendeu a cassação eleitoral de quem “ataca o STF”.
Fachin, em nota, considerou “indevida” a inclusão de ministros do Supremo na lista de indiciados da CPI. Vieira pediu o arquivamento da representação na PGR e cobrou do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defesa das prerrogativas parlamentares. Alcolumbre, por sua vez, colocou a Advocacia do Senado à disposição dos integrantes da Casa.
A fala de Cármen Lúcia ocorre nesse contexto de cobranças e críticas ao tribunal, reforçando o discurso de que a instituição precisa reconhecer falhas e adotar medidas para recuperar a confiança da população.
Com informações de Gazeta do Povo
