Uma charge publicada pela Folha de S.Paulo no sábado (9) desencadeou reações de associações de magistrados, tribunais e autoridades do Judiciário. O desenho, assinado pela chargista Marília Marz, exibia uma lápide com a inscrição “Vidinha mais ou menos, até perdê-la junto dos penduricalhos”, crítica aos adicionais que elevam a remuneração de juízes acima do teto constitucional.
A publicação ocorreu três dias após a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, 34, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, vítima de complicações decorrentes de um procedimento ligado à fertilização in vitro. A proximidade temporal levou entidades da categoria a relacionarem a charge ao falecimento da magistrada.
Entidades criticam desenho
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) afirmou que a caricatura representa “escárnio” em um momento de luto. Já a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) declarou que a liberdade de expressão não autoriza a “banalização da morte”.
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que abrange São Paulo e Mato Grosso do Sul, também divulgou nota. No documento, o presidente da corte, desembargador Luís Antonio Johonsom di Salvo, classificou o desenho como “grotesca exibição” destinada a “enxovalhar a magistratura brasileira”.
Manifestação do STF
Sem citar a charge diretamente, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, publicou comunicado no qual ressalta que a liberdade de imprensa e o direito à crítica devem ser exercidos com “prudência, responsabilidade e consciência ética” em situações de luto.
Posicionamento da autora
Imagem: Reprodução
Depois da repercussão, no domingo (10), Marília Marz negou qualquer relação entre a charge e a morte da juíza gaúcha. “Só soube dessa horrível coincidência e interpretação a partir dos ataques na internet. Sinto muitíssimo”, declarou.
Debate sobre benefícios
A charge foi publicada em meio a discussões no Congresso e no Judiciário sobre os chamados “penduricalhos” – auxílios e gratificações que podem elevar os salários da magistratura além do limite fixado pela Constituição.
As entidades que contestaram o desenho reiteraram que continuarão defendendo a categoria e, segundo o TRF-3, “arrostando sem temor” manifestações consideradas ofensivas.
Com informações de Gazeta do Povo
