Fechar os olhos por alguns minutos após o almoço pode ser mais do que simples costume. Segundo médicos ouvidos pelo Metrópoles, a chamada “power nap” — soneca curta de até 30 minutos — atende a uma necessidade real do cérebro, sobretudo quando o descanso noturno não foi suficiente.
Por que o organismo pede o cochilo
O neurologista Thiago Taya, do Hospital Brasília, em Águas Claras (DF), explica que durante a noite o cérebro realiza processos de limpeza química. Quando esse repouso é incompleto, substâncias como a adenosina se acumulam e provocam sensação de cansaço ao longo do dia, aumentando a vontade de dormir.
Além do fator biológico, aspectos culturais influenciam o hábito. Rotinas de trabalho que incluem pausa depois do almoço e costumes familiares adquiridos na infância moldam o ciclo circadiano, tornando a soneca diurna mais frequente em algumas pessoas.
Duração faz diferença
Para trazer vantagens sem atrapalhar o sono da noite, o cochilo deve durar no máximo 20 a 30 minutos. Taya lembra que o repouso se organiza em ciclos de cerca de 90 minutos, com fases leves no início e sono REM no final.
“Nos primeiros minutos já ocorre descanso mental. Se a soneca se prolonga, cresce a chance de entrar no sono REM; acordar nessa fase gera confusão, cansaço e sensação de sono não reparador”, afirma o neurologista. Cochilos longos também reduzem demais a adenosina, dificultando o acúmulo natural da substância e podendo interferir no sono noturno.
Efeitos nas funções cognitivas
Realizada corretamente, a power nap restabelece o nível de alerta e devolve a performance mental a patamares normais. De acordo com Taya, o benefício principal é a recuperação da atenção, da velocidade de processamento, da flexibilidade cognitiva e das funções executivas, como controle de impulsos e capacidade de resolver problemas.
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Quando a soneca é indicada
A neurologista Margarete de Jesus Carvalho, do Hospital Samaritano Paulista, recomenda que o cochilo aconteça logo após o almoço e não ultrapasse os 20 minutos. “O descanso saudável é curto e pontual. Quem acorda cansado, sente sonolência excessiva durante o dia e precisa dormir várias vezes deve procurar avaliação médica”, ressalta.
Segundo a especialista, repetidas sonecas ao longo do dia podem indicar que o sono noturno não está sendo restaurador. Nesses casos, investigar possíveis distúrbios do sono com um neurologista é essencial.
Com informações de Metrópoles
