Parlamentares e partidos ligados à direita reagiram ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que abriu o carnaval do Rio de Janeiro na noite de domingo, 15 de fevereiro, com uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. As manifestações incluem pedidos de investigação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na Procuradoria-Geral da República (PGR), além de ações que podem pedir a inelegibilidade do petista.
Acusações de propaganda antecipada
Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) informou que acionará o TSE por suposta propaganda eleitoral antecipada e alegado uso de recursos públicos na apresentação. Segundo ele, a apresentação serviu para “ataques pessoais” a seu pai e à família Bolsonaro.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou o evento como “desfile-comício em rede nacional” e anunciou representação que pede abertura de ação de improbidade administrativa contra Lula e a escola de samba. O parlamentar também afirmou que ingressará com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por abuso de poder político e econômico caso o registro de candidatura de Lula seja confirmado.
O Partido Novo declarou que, assim que Lula oficializar a tentativa de reeleição, ingressará com pedido de inelegibilidade pelo mesmo motivo. Para o presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, o desfile configurou “propaganda eleitoral antecipada financiada com dinheiro público”.
No Senado, o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que adotará “todas as medidas judiciais cabíveis” para apurar eventual uso indevido de estruturas públicas.
Queixas sobre representação de evangélicos
A encenação de fiéis evangélicos dentro de uma lata de conserva motivou denúncia por “crime de preconceito” protocolada pelo senador Magno Malta (PL-ES) e pelo deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) na PGR. O órgão deverá decidir se apresenta ou não denúncia criminal contra os responsáveis.
Imagem: Antio Lacerda
Defesa do PT
Em nota, o departamento jurídico do Partido dos Trabalhadores negou qualquer irregularidade. O texto sustenta que o desfile foi produzido de forma autônoma pela Acadêmicos de Niterói, “sem participação, financiamento, coordenação ou ingerência” do partido ou do presidente. A legenda ainda argumenta que a Lei das Eleições não caracteriza como propaganda antecipada a exaltação de qualidades pessoais realizada por terceiros sem pedido explícito de voto, afastando, segundo o PT, qualquer discussão sobre inelegibilidade.
O desfile ocorreu na Marquês de Sapucaí e marcou o início oficial do carnaval carioca de 2026, a poucos meses da eleição em que Lula deve buscar a reeleição.
Com informações de Gazeta do Povo
