A eleição de 2026 para o Senado passou a ser considerada essencial por dirigentes do PL, do Novo e de outras siglas alinhadas à direita. O objetivo é conquistar, no mínimo, 41 cadeiras e criar condições para barrar ou abrir processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), após uma série de decisões consideradas abusivas por parlamentares conservadores.
Atualmente, cerca de 70 pedidos de afastamento de integrantes do STF estão parados na mesa da Presidência do Senado. O principal alvo é o ministro Alexandre de Moraes. A resistência do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), em deliberar sobre o tema reforçou a estratégia de lançar nomes competitivos em todos os estados.
O cenário ficou ainda mais complexo depois de uma liminar de Gilmar Mendes — analisada entre 12 e 19 de dezembro — que, se confirmada, exigirá 54 votos favoráveis para aprovar qualquer parecer de impeachment.
Renovação recorde
Em 2026 estarão em disputa 54 das 81 cadeiras do Senado, o dobro das vagas renovadas em 2022. Mesmo assim, cada estado ofertará apenas duas posições, o que acirrou a disputa interna entre pré-candidatos da direita.
Principais nomes cogitados
Distrito Federal
Michelle Bolsonaro (PL-DF) – Presidente do PL Mulher, percorre o país desde 2023 e critica publicamente Moraes. Em dezembro, afastou-se temporariamente das atividades partidárias por motivos de saúde.
Bia Kicis (PL-DF) – Deputada federal, lançou pré-candidatura em novembro e disputa espaço com Michelle, o governador Ibaneis Rocha (MDB) e o senador Izalci Lucas (PL).
São Paulo
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) – Deputado federal, vive nos Estados Unidos desde março de 2025 e admite temer prisão ao voltar. O PL prefere que ele concorra ao Senado, mas há a opção de reeleição na Câmara.
Ricardo Salles (Novo-SP) – Ex-ministro do Meio Ambiente, considera disputar o Senado ou, se Tarcísio de Freitas entrar na corrida presidencial, o governo paulista.
Guilherme Derrite (PP-SP) – Ex-secretário de Segurança de São Paulo, deseja a vaga senatorial, embora o PP cogite lançá-lo ao governo estadual.
Santa Catarina
Carlos Bolsonaro (PL-SC) – Vereador no Rio, foi apontado pelo pai para concorrer em SC, onde enfrentaria Caroline De Toni (PL) e o senador Esperidião Amin (PP).
Caroline De Toni (PL-SC) – Deputada federal lidera pesquisas locais e ameaça deixar o PL se não for indicada.
Paraná
Deltan Dallagnol (Novo-PR) – Ex-procurador da Lava Jato, lidera sondagem divulgada em novembro.
Imagem: PL Mulher
Cristina Graeml (União-PR) – Jornalista, recebeu 42,36 % dos votos no segundo turno da eleição de Curitiba em 2024 e mantém pré-candidatura.
Filipe Barros (PL-PR) – Deputado federal, avalia entrar na disputa, mas aparece atrás de Deltan e Cristina nas pesquisas.
Rio Grande do Sul
Marcel Van Hattem (Novo-RS) – Deputado federal, lidera intenção de voto segundo levantamento de novembro. Pode enfrentar Sanderson (PL).
Rio de Janeiro
Helio Lopes (PL-RJ) – Deputado federal próximo a Jair Bolsonaro; o PL cogita transferi-lo para Roraima, onde a chance de vitória seria maior.
Goiás
Gustavo Gayer (PL-GO) – Deputado federal teve pré-candidatura confirmada em novembro. Disputa interna inclui o governador Ronaldo Caiado (União), Gracinha Caiado (União) e Major Vitor Hugo (PL).
Pernambuco
Gilson Machado (PL-PE) – Ex-ministro do Turismo conta com o apoio de Bolsonaro, mas enfrenta resistência do presidente estadual da sigla, Anderson Ferreira, também interessado na vaga.
Amazonas
Capitão Alberto Neto (PL-AM) – Deputado federal anunciou pré-candidatura em podcast, a convite de Bolsonaro. Deve concorrer com o governador Wilson Lima (União) e o senador Plínio Valério (PSDB).
Outros possíveis movimentos
Nikolas Ferreira (PL-MG), deputado federal mais votado em 2022, ficará fora da corrida senatorial por ainda não ter 35 anos na data limite, devendo disputar a reeleição. Entre senadores de primeiro mandato que podem tentar renovar em 2026 estão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Carlos Viana (Podemos-MG), Izalci Lucas (PL-DF) e Marcos Rogério (PL-RO). Já Eduardo Girão (Novo-CE) buscará o governo do Ceará.
Com a exigência de até 54 votos para aprovar impeachment de ministros do STF em análise, líderes da direita veem 2026 como oportunidade decisiva para tentar frear decisões que classificam como “ativismo judicial”.
Com informações de Gazeta do Povo
