Maior parte do noticiário político costuma se concentrar na campanha presidencial, mas, em 2026, a corrida ao Senado Federal promete ter peso semelhante. No pleito marcado para outubro, 54 das 81 cadeiras — duas por cada estado e outras duas pelo Distrito Federal — estarão em jogo, quantidade capaz de mudar o eixo de poder em Brasília a partir de 2027.
Atribuições que reforçam a importância da Casa
Pelos dispositivos do artigo 52 da Constituição e por emendas aprovadas desde os anos 1990, cabe aos senadores:
- suspender a execução de leis consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF);
- aprovar indicações do governo para o STF, Itamaraty, Advocacia-Geral da União (AGU) e demais cargos de alto escalão;
- julgar pedidos de cassação de ministros do STF;
- autorizar operações de crédito internacionais da União e dos estados.
Com essa lista de atribuições, a composição da Casa pode influenciar diretamente o Executivo e o Judiciário — independente de quem ocupar o Palácio do Planalto.
Números que definem maioria e impeachment
Para que a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) controle o Senado, seria necessário eleger ao menos 24 novos senadores alinhados à direita, alcançando 41 votos e, portanto, maioria simples. Já a abertura de processo de impeachment contra ministros do STF, como Alexandre de Moraes, exige dois terços da Casa: 54 votos, dos quais 37 teriam de vir dos 54 assentos em disputa, sem contar o apoio eventual de integrantes do Centrão.
Direita e esquerda elevam o tom
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o primeiro a tratar a eleição senatorial como prioridade. Em diversos atos, antes de ser preso por determinação de Moraes, afirmou: “Me deem 50% da Câmara e do Senado que eu mudo o destino do Brasil”.
O presidente Lula respondeu em encontro do PSB: “Em 2026, precisamos eleger senadores. Se esses caras [da oposição] fizerem maioria, vão causar uma confusão nesse país”.
Principais cotados
Entre os nomes aventados pelo PL para a disputa estão Michelle Bolsonaro (DF), Carlos Bolsonaro (SC), Bia Kicis (DF), Caroline de Toni (SC), Filipe Barros (PR), Gustavo Gayer (GO), Gilson Machado (PE) e Capitão Alberto Neto (AM).
Imagem: Jeffers Rudy
Pelos partidos que integram ou orbitam a base do governo, aparecem Rui Costa (MDB-BA), Manuela D’Ávila (PSOL-RS), Helder Barbalho (MDB-PA), João Azevedo (PSB-PB) e Alexandre Silveira (PSD-MG). Dentro do PT, são citados Fernando Haddad (SP), Paulo Pimenta (RS) e Marília Campos (MG), além da provável tentativa de reeleição de Renan Calheiros (MDB-AL), Weverton Rocha (PDT-MA) e Humberto Costa (PT-PE).
Especialistas veem Senado como “freio” ou “acelerador”
Para o cientista político Samuel Oliveira, o Senado “virou o lugar onde se trava a batalha entre o freio e o acelerador da República”. Já Leandro Cosentino, professor do Insper, destaca que setores da direita enxergam no controle da Casa uma forma de “reduzir o poder de um Judiciário visto como aliado do governo”.
Com candidatos de alta visibilidade — ex-governadores, ministros, presidentes de partidos e deputados em ascensão —, a eleição de 2026 tende a ser a mais disputada da história da Câmara Alta. Quem formar maioria não apenas influenciará a agenda legislativa, mas terá poder de definir os limites entre os Poderes a partir de 2027.
Com informações de Gazeta do Povo
