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Escândalo do Banco Master pressiona STF e ameaça cenário eleitoral de 2026

O caso Banco Master, revelado nos últimos meses de 2025, continua a provocar abalos no meio político e no Judiciário e deve acompanhar o debate eleitoral de 2026, especialmente se for instalada uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o episódio.

Fraude bilionária e intervenção do Banco Central

Investigação da Polícia Federal apontou que executivos do Banco Master participaram de um esquema de aproximadamente R$ 12 bilhões envolvendo a venda de títulos e carteiras de crédito consignado sem lastro ao Banco de Brasília (BRB). A operação, viabilizada por forte lobby político, recebeu aval interno do BRB e passou pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Em 18 de novembro de 2025, contudo, o Banco Central (BC) vetou a transação, decretou a liquidação extrajudicial do Master por “grave crise de liquidez” e classificou o caso como risco sistêmico.

No mesmo dia, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, prendeu o controlador do banco, Daniel Vorcaro, e apreendeu documentos. Vorcaro e demais diretores ficaram 11 dias detidos.

Trâmite no Supremo e viagens controversas

A defesa do empresário levou o processo ao Supremo Tribunal Federal. O ministro Dias Toffoli assumiu a relatoria, proibiu a Justiça Federal de Brasília de adotar medidas independentes e impôs sigilo aos autos. Antes de determinar o sigilo, Toffoli viajou a Lima, no Peru, em aeronave de um empresário e na companhia do advogado de um dos investigados.

Outro ponto de desgaste foi a revelação de que o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes mantinha contrato de R$ 129 milhões por três anos com o Banco Master. Além disso, reportagem indicou que Moraes telefonou seis vezes no mesmo dia para o presidente do BC, Gabriel Galípolo, a fim de obter informações sobre a tentativa de compra do Master pelo BRB. O ministro negou irregularidade.

Atuação do TCU também é questionada

No Tribunal de Contas da União, o ministro Jhonatan de Jesus determinou em 6 de janeiro que auditores realizassem inspeção urgente no BC, medida que poderia favorecer a estratégia do banco para reverter a liquidação. Após reação negativa, ele suspendeu a ordem. Dos nove membros do TCU, seis são indicados pelo Congresso e três pelo presidente da República; Jhonatan foi nomeado em 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

CPMI tem assinaturas, mas depende de acordo político

O pedido para instalar uma CPMI já reúne 243 apoios de deputados e senadores, porém quase não conta com assinaturas de parlamentares ligados ao governo. Analistas avaliam que congressistas aguardam o reinício dos trabalhos legislativos, em fevereiro, para medir riscos e benefícios antes de liberar a comissão.

Possíveis efeitos eleitorais

Especialistas consultados apontam que legendas de direita, com discurso de moralidade e crítica ao Supremo, podem capitalizar o caso. O impacto tende a ser maior no Senado, responsável por sabatinar ministros do STF e diretores do BC. No Distrito Federal, onde o BRB tem sede, o escândalo ameaça as projeções eleitorais do governador Ibaneis Rocha (MDB) e da vice Celina Leão (PP), ambos cotados para disputar vagas em 2026.

No plano nacional, adversários de Lula pretendem relacionar o episódio a suposta conivência entre Executivo e Judiciário, tentativa que, se bem-sucedida, pode minar a estratégia de reeleição do presidente, baseada na percepção de estabilidade econômica.

Com informações de Gazeta do Povo

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