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França prende 11 suspeitos pela morte de militante de ultradireita em Lyon

Mais duas pessoas foram detidas nesta quarta-feira (18/2) em conexão com a morte do estudante Quentin Deranque, 23 anos, militante de ultradireita espancado na semana passada em Lyon, no sudeste da França. Com as novas prisões, o número de suspeitos sob custódia chegou a 11.

Deranque foi agredido por um grupo encapuzado nas proximidades do Institut d’Études Politiques de Lyon, onde ocorria uma conferência da eurodeputada Rima Hassan, da França Insubmissa (LFI). O incidente se deu durante uma manifestação organizada pelo coletivo ultranacionalista Némésis, identificado com a extrema direita. O ministro do Interior, Laurent Nunez, classificou o ataque como “linchamento”.

Nome ligado à LFI entre os detidos

Entre os presos está Jacques-Elie Favrot, assistente parlamentar do deputado de esquerda radical Raphaël Arnault (LFI). Diante da revelação, a porta-voz do governo, Maud Bregeon, solicitou que o partido afaste temporariamente Arnault do grupo parlamentar.

A situação elevou a pressão política sobre a LFI a menos de um mês das eleições municipais. A sede nacional da legenda, no 10º distrito de Paris, precisou ser evacuada nesta quarta-feira após uma ameaça de bomba, informou no X (antigo Twitter) o coordenador do movimento, Manuel Bompard.

Troca de acusações no cenário político

O ministro do Interior, Gérald Darmanin, acusou a LFI de manter proximidade com a organização La Jeune Garde, dissolvida pelo governo sob a alegação de práticas violentas. O Partido Socialista (PS) fez coro, criticando o que considera postura ambígua da LFI diante de grupos radicais.

O líder da LFI, Jean-Luc Mélenchon, repudiou as acusações, reafirmou a condenação à violência e afirmou que o caso foi resultado de confronto entre grupos adversários, não de ataque premeditado. Já o presidente do partido Reunião Nacional (RN), Jordan Bardella, disse que Mélenchon “abriu as portas da Assembleia Nacional a presumidos assassinos”.

Na Assembleia, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu que a LFI conduza uma revisão interna e assuma responsabilidades, provocando debate acalorado entre parlamentares da esquerda radical e da extrema direita.

Némésis volta ao centro das atenções

Criado em 2019 por Alice Cordier, o coletivo Némésis se apresenta como defensor dos direitos das mulheres, mas é criticado por organizações feministas tradicionais por supostamente instrumentalizar a pauta para sustentar discurso anti-imigração. A morte de Deranque reacendeu discussões sobre o papel do grupo e intensificou a polarização entre extrema direita, direita e esquerda radical.

Deranque fazia parte do serviço de segurança do Némésis no dia da agressão. O Ministério Público de Lyon confirmou que houve confronto no local entre militantes de direita e de esquerda radical, mas a investigação ainda busca esclarecer as circunstâncias exatas da morte.

A disputa política em torno do caso deve se intensificar à medida que a campanha municipal avança, enquanto autoridades pedem que a investigação judicial prossiga sem interferências.

Com informações de Metrópoles

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