Com cerca de duas décadas de atuação na indústria de games, o desenvolvedor mineiro Juno Cecílio descreveu as dificuldades que enfrenta para financiar e expandir projetos no país. Fundador da Gixer Entertainment, estúdio criado há cerca de dois anos, ele destacou o desejo de manter controle total sobre Changer 7, produção inspirada em tokusatsu e Super Sentai ambientada no Brasil.
Da adaptação de títulos móveis ao próprio estúdio
Formado em Ciência da Computação e Artes, Cecílio iniciou a carreira como freelancer para revistas especializadas. Em seguida, entrou em uma empresa que adaptava franquias como Street Fighter, X-Men, LEGO e Rocky Balboa para celulares. A experiência levou à abertura de um MEI para emissão de notas fiscais e, posteriormente, à formação de uma equipe para criar um advergame — momento em que surgiram os primeiros testes com gestão e sustentabilidade de um estúdio.
Controle da propriedade intelectual
Ao buscar parcerias internacionais para Changer 7, o desenvolvedor recebeu propostas de publishers interessadas em adquirir a IP completa. Cecílio recusou as ofertas para preservar a expansão planejada em múltiplas mídias, incluindo mangás, produtos físicos, shows e projetos audiovisuais.
Financiamento segue como maior barreira
Segundo Cecílio, a obtenção de recursos continua sendo o principal entrave. Ele relata negociações frustradas com publishers nacionais, que se arrastaram por meses sem contrato assinado e levaram a Gixer a consumir reservas financeiras enquanto aguardava avanços. Editais públicos tampouco surtiram efeito: há mais de dez anos o estúdio tenta, sem sucesso, acessar esse tipo de verba e voltou a se inscrever em dois programas em 2026.
Três pilares para novos estúdios
Para quem está começando, Cecílio recomenda dominar os pilares desenvolvimento, negócios e marketing. O criador ressalta a importância de continuar promovendo o jogo após o lançamento, participando de eventos, firmando parcerias com criadores de conteúdo e planejando campanhas.
Ele também aconselha estrear com um projeto pequeno para compreender todas as etapas — da publicação à negociação de contratos — antes de investir anos em produções mais complexas. Plataformas como Steam oferecem barreiras iniciais modestas, enquanto consoles exigem histórico e aprovação das fabricantes.

Imagem: Juno Cecílio
Reconhecimento local X validação externa
Cecílio observa que jogos brasileiros costumam ganhar visibilidade interna depois de receberem reconhecimento internacional. Apesar disso, aponta que a comunidade de desenvolvedores do país costuma divulgar projetos independentes por afinidade, diferentemente dos mercados estrangeiros, onde a exposição depende mais de investimento em marketing.
Rede de contatos e suporte profissional
A colaboração do produtor japonês Katsuhiro Harada com Changer 7 é citada como exemplo de que vale a pena buscar apoio de profissionais experientes. O fundador da Gixer reforça a necessidade de contratar advogado e contador desde o início e de firmar todos os acordos por escrito.
A trajetória de Juno Cecílio evidencia que, no Brasil, criar um game independente exige muito mais do que desenvolvimento técnico: financiamento, contratos, marketing e planejamento pós-lançamento podem ser decisivos para o sucesso de um estúdio.
Com informações de Olhar Digital
