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Governo Lula inicia 2026 pressionado por Congresso autônomo e falhas na articulação política

Brasília — 10.jan.2026 — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entra no último ano de mandato enfrentando um Congresso Nacional mais independente e sucessivas derrotas em votações. Analistas e parlamentares avaliam que o Planalto não conseguiu recompor a base aliada e, por isso, deve atravessar 2026 sob tensão permanente entre Executivo e Legislativo.

Cenário de derrotas e distanciamento

Nos últimos três anos, propostas consideradas prioritárias pelo governo foram rejeitadas ou adiadas. O próprio Lula admitiu, em 15 de dezembro, que sua equipe não conseguiu “convencer parte dos congressistas”. O desgaste ficou evidente em novembro, quando os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), faltaram à cerimônia de sanção da isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil.

Afastamentos semelhantes ocorreram em 2026: os chefes das duas Casas não compareceram ao evento que marcou os três anos do 8 de Janeiro, no qual Lula vetou integralmente o PL da Dosimetria.

Críticas ao uso do STF e falhas nos acordos

Motta reclama do recurso frequente ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter decisões da Câmara; Alcolumbre se irritou com a indicação de Jorge Messias ao STF, preferência que frustrava o nome do ex-presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Ambos cobram “respeito institucional” e cumprimento de acordos.

Troca na articulação não contêm crise

Gleisi Hoffmann assumiu a Secretaria de Relações Institucionais em março de 2025, substituindo Alexandre Padilha. Parlamentares do Centrão afirmam, porém, que o clima de confronto aumentou. Vetos derrubados, atrasos em emendas e impasses sobre temas como licenciamento ambiental, segurança pública e anistia ampliaram o atrito.

Para o professor Adriano Cerqueira, do Ibmec-BH, Lula optou por agenda mais à esquerda, reforçada pela nomeação de Guilherme Boulos (PSOL-SP) para a Secretaria-Geral da Presidência. Elton Gomes, da UFPI, aponta que o governo trocou a negociação parlamentar por decisões judiciais, vencendo apenas quando há convergência de interesses com o Congresso.

Ministério esvaziado por saídas eleitorais

Entre fevereiro e abril, ao menos metade dos 38 ministros deve deixar o cargo para disputar as eleições municipais e estaduais. As saídas já confirmadas incluem a própria Gleisi, que pretende concorrer à Câmara pelo Paraná, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), cotado ao Senado pela Bahia. Também estão previstos os desembarques de Ricardo Lewandowski (Justiça) em janeiro e de Fernando Haddad (Fazenda) em fevereiro.

No Congresso, a reorganização partidária prossegue. Na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ) deve deixar a liderança do PT, com Pedro Uczai (PT-SC) apontado como sucessor. No Senado, mudanças podem atingir o líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA).

Mobilização social como resposta

Sem maioria folgada, Lula tem recorrido à pressão popular para tentar aprovar projetos. Em 8 de janeiro, vetou o projeto da dosimetria durante cerimônia no Planalto e reforçou o discurso contra anistia a envolvidos nos atos de 2023. Campanhas petistas passaram a retratar o Congresso como entrave às pautas do governo, estratégia que, segundo parlamentares, agrava o isolamento do Planalto.

Com informações de Gazeta do Povo

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