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Governo planeja criar nuvem soberana com parceria público-privada e capital nacional

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos estuda formar uma parceria entre o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e empresas privadas de capital majoritariamente brasileiro para desenvolver uma “nuvem soberana”. A prioridade é assegurar que o País detenha o controle do código, da operação e da jurisdição da infraestrutura que armazenará dados estratégicos.

Modelo em definição

Segundo a ministra Esther Dweck, a configuração mais provável é uma parceria público-privada que poderá envolver mais de uma empresa. Por enquanto, o Serpro é a única estatal confirmada; a Dataprev comunicou que não participará do projeto.

Embora a preferência seja por companhias brasileiras, a participação de grupos estrangeiros não está descartada. A exigência, contudo, é que a empresa escolhida consiga operar a plataforma de forma independente, mantendo acesso total ao código-fonte, mesmo que parte da tecnologia tenha sido desenvolvida fora do País. Dweck citou a Magalu Cloud como exemplo de fornecedor nacional com capacidade relevante.

Preocupação com a jurisdição

O governo quer evitar vinculações legais a outros países, sobretudo em casos que envolvam informações críticas. Entre os pontos citados está o Cloud Act, dos Estados Unidos, que permite às autoridades americanas requisitar dados de usuários armazenados no exterior por provedores dos EUA.

Consulta ao mercado e cronograma

Uma audiência pública realizada em Brasília reuniu 59 empresas, nacionais e multinacionais. Ao todo, 270 participantes de 70 instituições acompanharam a sessão. Após essa etapa coletiva, o governo iniciou reuniões individuais com interessados.

O calendário preliminar prevê:

  • 25 de setembro: encerramento da consulta de mercado;
  • outubro: definição da modelagem;
  • início de novembro: publicação do edital;
  • ao longo de 2026: escolha da(s) empresa(s);
  • cerca de dois anos para desenvolvimento da solução.

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) atua como interlocutora junto ao setor privado, enquanto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá oferecer financiamento ou outros mecanismos de apoio.

Demanda inicial garantida pelo governo

Dweck reconhece que o alto custo de implantação é um desafio para as empresas nacionais. Para viabilizar o projeto, o governo pretende bancar parte do investimento e contratar o serviço quando estiver pronto, criando demanda inicial que também poderá ser estendida a clientes privados.

Com informações de Olhar Digital

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