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Itamaraty alerta para possível uso de força militar dos EUA no Brasil caso facções sejam rotuladas como terroristas

Brasília – Em resposta encaminhada à Câmara dos Deputados, o Ministério das Relações Exteriores avaliou que uma eventual inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos pode abrir caminho para o emprego de tropas norte-americanas em território brasileiro.

O posicionamento consta do Ofício nº RIC 1012/2026, assinado pelo chanceler Mauro Vieira e enviado a parlamentares que questionaram a posição do governo. O documento, datado de 6 de julho de 2026, cita “a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro” como um dos possíveis desdobramentos da medida.

Riscos apontados pelo governo

Segundo o Itamaraty, a designação das facções como terroristas desencadearia impactos “relevantes no plano econômico e na soberania nacional”. Entre os efeitos listados estão:

  • aplicação de sanções administrativas e judiciais unilaterais por autoridades americanas;
  • alcance extraterritorial dessas sanções a pessoas físicas, empresas e instituições brasileiras sem vínculo direto com os EUA;
  • repercussões para cidadãos brasileiros nos âmbitos financeiro, migratório e penal, devido aos conceitos abrangentes da legislação antiterror norte-americana.

Cooperação já existente

O ministério ressalta que os atuais mecanismos de cooperação Brasil-EUA permitem troca de informações, apreensão e devolução de ativos e combate à lavagem de dinheiro, dispensando a classificação de terrorismo para intensificar o enfrentamento ao crime organizado.

Análise interna e oposição formal

Órgãos de segurança pública, inteligência e justiça consultados pelo Itamaraty concluíram que o enquadramento jurídico seria inadequado e não traria ganhos concretos à cooperação internacional. A chancelaria afirma que o governo brasileiro “tem externado sua oposição” à iniciativa, embora note que a decisão norte-americana seria ato unilateral e não exigiria consulta prévia a Brasília.

Defesa da soberania e da cooperação internacional

No ofício, o governo reafirma compromisso com o combate transnacional ao crime organizado e defende o fortalecimento da colaboração entre países e organismos multilaterais, sem recorrer ao rótulo de terrorismo para as facções brasileiras.

Com informações de Gazeta do Povo

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