Brasília – A Justiça Federal determinou nesta sexta-feira (3) a prisão de Victor Henrique de Oliveira Shimada e de outros dez suspeitos de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo, segundo investigadores, movimentava milhões de reais por meio de empresas de fachada e criptomoedas. A ofensiva ocorre dias depois de o governo dos Estados Unidos aplicar sanções financeiras contra os mesmos alvos.
Quem é Victor Shimada
Shimada, considerado foragido, é apontado por autoridades brasileiras e americanas como o principal operador financeiro da facção. Empresário com atuação no Brasil e no exterior, ele utilizaria companhias como a Victory Trading e a Pixwave para mascarar recursos obtidos em atividades ilegais.
Como funcionava o esquema
De acordo com a investigação, a rede criava empresas de fachada para circular dinheiro proveniente do tráfico e de fraudes bilionárias contra o INSS. Parte dos valores era convertida em criptomoedas antes de retornar ao sistema financeiro formal, conferindo aparência de legalidade às transações.
Conexão internacional
Relatórios do Departamento do Tesouro dos EUA indicam que a estrutura operava entre São Paulo e a Flórida, servindo de elo entre traficantes internacionais e representantes das facções brasileiras em território norte-americano.
Por que a reação brasileira foi tardia
Especialistas lembram que o nome de Shimada já constava em comissões parlamentares de inquérito desde 2024 e aparecia em delações premiadas. A morosidade é atribuída à falta de efetivo na Polícia Federal, à cultura de tolerância a crimes financeiros e aos rigorosos ritos processuais exigidos para o uso de provas coletadas no exterior.
Efeito das sanções dos EUA
Washington classificou recentemente o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, bloqueando ativos sob jurisdição americana e proibindo empresas locais de negociar com os investigados. O bloqueio imediato de bens aumentou a pressão sobre autoridades brasileiras, que aceleraram as medidas judiciais nesta semana.
Imagem: Internet
Possíveis ramificações políticas
Documentos da CPMI do INSS apontam que a rede Arpar, supostamente ligada ao mesmo esquema, teria movimentado cerca de R$ 40 bilhões. O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), criticou o encerramento dos trabalhos sem aprofundar eventuais elos com figuras do entorno político atual. Não há, até o momento, acusações formais contra familiares do presidente.
As buscas continuam para localizar Victor Shimada, enquanto os demais investigados serão ouvidos pela Justiça nos próximos dias.
Com informações de Gazeta do Povo
