Brasília – Desde janeiro de 2023, quando iniciou o terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem alterando o tom sobre segurança pública. A mudança acompanha pesquisas que colocaram a violência entre as principais angústias do eleitorado e expôs contradições entre falas e ações do governo.
Críticas à polícia marcaram o início do mandato
Em março de 2023, ao relançar o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania no Palácio do Planalto, Lula afirmou que, nas periferias, “o Estado muitas vezes só está presente com a polícia para bater”. O comentário, avaliam especialistas, deslegitimou o trabalho policial no momento em que o tema ainda não liderava as preocupações nacionais.
Um mês depois, a primeira pesquisa Genial/Quaest de 2023 apontou a violência como segunda maior preocupação do país (22%), atrás da economia (31%). Na mesma etapa, a desaprovação ao presidente alcançou 42%.
Promessas de normalidade e estabilidade nas pesquisas
Em julho de 2023, na assinatura do Programa de Ação na Segurança (PAS), Lula prometeu devolver “paz e tranquilidade” à população. Contudo, organizações criminosas ampliaram presença territorial. Nova rodada da Quaest, em julho de 2024, mostrou a violência ainda em segundo lugar (19%), enquanto 54% dos entrevistados aprovavam o governo e 43% o reprovavam.
Roubo de celulares pressiona Planalto em 2024
Levantamento do Datafolha para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em agosto de 2024, revelou que 9,2% dos brasileiros – cerca de 14,7 milhões de pessoas – tiveram celular roubado ou furtado em um ano. Diante da repercussão, Lula declarou que o país “não será uma República de ladrões de celulares”, após ter criticado ações policiais dias antes.
Em dezembro de 2024, o governo editou decreto sobre uso da força policial, condicionando repasses federais à adoção de novos protocolos. Entidades de classe afirmaram que a medida burocratizou operações; em janeiro de 2025, o Planalto divulgou nota dizendo que o texto fora alvo de “desinformação”.
Violência assume o topo das preocupações em 2025
Pesquisa Genial/Quaest de março de 2025 registrou, pela primeira vez, a violência como principal problema nacional (29%), à frente de temas sociais (23%). Na sequência, Lula passou a afirmar que “o Estado é mais forte que os bandidos” e defendeu a PEC da Segurança Pública, que travou no Congresso por concentrar poder na União.
Imagem: Infografia
Plano de desencarceramento gera reação
Em fevereiro de 2025, o governo lançou o Plano Pena Justa com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF), prevendo libertação de milhares de detentos para reduzir superlotação. Especialistas apontaram conflito com o discurso de enfrentamento ao crime, alertando que pequenos delitos financiam facções.
Em outubro de 2025, Lula declarou que traficantes “são vítimas dos usuários”. Pesquisa Genial/Quaest realizada entre 6 e 9 de novembro mostrou 81% de discordância da população e apenas 14% de concordância.
Operações no Rio e leis mais duras em 2025
Pesquisa Paraná Pesquisas de outubro do mesmo ano indicou que 45,8% dos brasileiros viam piora na segurança durante o governo Lula. No Rio de Janeiro, 69,6% aprovavam megaoperações contra o crime. Logo após ação estadual contra o Comando Vermelho, Lula sancionou a Lei 15.245/2025, de autoria do senador Sergio Moro (União-PR), com punições mais rígidas a organizações criminosas, e enviou ao Congresso o Projeto de Lei Antifacção.
Analistas concluem que o Planalto reage aos indicadores de opinião, alternando críticas à polícia, discursos humanitários, endurecimento pontual e propostas de cooperação internacional, sem consolidar estratégia de longo prazo. Com a aproximação da eleição de 2026, avaliam, novas inflexões no discurso tendem a ocorrer.
Com informações de Gazeta do Povo
