A colaboração internacional do Dark Energy Survey (DES) divulgou nesta semana a análise completa de seis anos de observações, estabelecendo a medição mais precisa já feita da estrutura cósmica e da influência da energia escura na expansão do Universo.
Entre 2013 e 2019, a equipe utilizou a Dark Energy Camera (DECam) — equipamento de 570 megapixels instalado no Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no Chile — para registrar cerca de 669 milhões de galáxias. O trabalho cobre aproximadamente um oitavo de todo o céu noturno.
Quatro métodos combinados
Pela primeira vez, os pesquisadores reuniram as quatro principais técnicas de investigação da energia escura em um único estudo: supernovas do tipo Ia, lentes gravitacionais fracas, agrupamento de galáxias e oscilações acústicas bariônicas. O artigo foi submetido à revista Physical Review D e disponibilizado no repositório arXiv.
“É incrível ver esses resultados obtidos com todos os dados e as quatro sondagens que o DES planejou”, afirmou Yuanyuan Zhang, do NOIRLab. Segundo ela, a confiança nas conclusões sobre a força da energia escura é o dobro da registrada em análises anteriores.
Ajuste e discordância
Os números se alinham ao modelo cosmológico padrão (ΛCDM), que considera a energia escura constante e responsável por cerca de 68% do conteúdo do cosmos. No entanto, o estudo identificou um desvio persistente: a matéria se encontra menos aglomerada no Universo atual do que preveem cálculos baseados nas condições do universo primordial.
Imagem: Dark Energy Survey
Para Regina Rameika, do Departamento de Energia dos Estados Unidos, o resultado “lança nova luz sobre nossa compreensão do Universo e de sua expansão”.
Próximos passos
O DES encerrou a fase de coletas, mas a busca por respostas continua. O Observatório Vera C. Rubin iniciará em breve um levantamento de dez anos que deverá catalogar 20 bilhões de galáxias. A combinação dessas futuras observações com os dados já obtidos promete refinar ainda mais a história da expansão cósmica.
Com informações de Olhar Digital
