Rio de Janeiro — O cantor, compositor e instrumentista Osvaldo Alves Pereira, conhecido como Noca da Portela, morreu neste domingo (17/5) aos 93 anos. O sambista estava internado desde o fim de abril em um hospital de São Cristóvão, na zona norte da capital fluminense, e foi transferido para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) em 11 de maio, após ser diagnosticado com pneumonia.
Trajetória musical
Nascido em Minas Gerais, Noca mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua ligação com a música. Estudou violão e teoria musical na Ordem dos Músicos do Brasil e se destacou no cenário do samba carioca, assinando sambas-enredo históricos e canções gravadas por grandes nomes da MPB, como “Virada”, eternizada na voz de Beth Carvalho.
Contribuição à Portela
Levantado à Portela por Paulinho da Viola na década de 1960, Noca integrou o Trio ABC da Portela, ao lado de Picolino e Colombo. Entre suas composições marcantes estão “Portela Querida”, defendida por Elza Soares, e o samba-enredo “O Homem de Pacoval” (1976). Ele venceu por sete vezes as disputas de samba-enredo da escola, com títulos como “Recordar é viver” (1985), “Gosto que me enrosco” (1995), “Os olhos da noite” (1998) e “ImaginaRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal” (2015). Integra ainda o elenco da Velha Guarda Show da Portela.
Vida pública e projetos recentes
Fora dos desfiles, Noca ocupou a Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro em 2006, durante o governo de Rosinha Garotinho, e disputou vaga na Câmara Municipal em 2008, pelo PSB. Mesmo octogenário, manteve a produção musical: lançou, em 2017, o álbum “Homenagens”, dedicado à Portela, e foi reverenciado este ano na coletânea “Coleção Flores em Vida”, que contou com participações de artistas da música brasileira.
Nota de pesar da Portela
Em comunicado, a Portela lamentou “profundamente” a morte do sambista, destacando seu legado de “amor à música popular brasileira, ao samba e à Majestade do Samba”. A escola se solidarizou com familiares, amigos e fãs.
Imagem: Internet
Noca da Portela deixa centenas de composições, sete sambas-enredo vitoriosos na Portela e um nome gravado na história do Carnaval carioca.
Com informações de Metrópoles
