A Polícia Federal tornou público, nesta semana, um contrato de consultoria firmado em janeiro de 2024 entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e o Banco Master. O documento previa pagamento mensal de R$ 3,64 milhões por um período de 36 meses.
Serviços acordados
Segundo o contrato, o escritório Barci de Moraes deveria:
- defender o banco em inquéritos da Polícia Federal e das polícias civis;
- atuar em processos administrativos no Banco Central, Receita Federal e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE);
- elaborar e aprimorar programas de compliance.
Pagamentos e prioridade no caixa
Mensagens interceptadas pela PF indicam que o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, classificava os repasses ao escritório como prioridade absoluta, determinando que não houvesse atrasos “em nenhuma hipótese”, mesmo diante de dificuldades de caixa. Ao todo, 22 parcelas foram quitadas até o fim de 2025, somando mais de R$ 80 milhões, valor cuja transferência foi interrompida após a liquidação extrajudicial do banco decretada pelo governo.
Participação de Alexandre de Moraes
Metadados analisados pela PF mostram que o ministro editou a versão final do contrato em 15 de janeiro de 2024. O escritório afirma que Moraes acessou o arquivo a pedido do setor de conformidade do banco para checar possíveis impedimentos legais. A defesa sustenta que o ministro não julgou processos envolvendo o Banco Master no STF, motivo pelo qual não teria havido conflito de interesses.
Outra proposta em investigação
Os investigadores também encontraram uma proposta de contrato com a Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro, que previa pagamentos de R$ 50 milhões ao longo de três anos para consultoria em áreas tributária, trabalhista, administrativa e representação em investigações criminais. O escritório de Viviane Barci de Moraes afirma que a proposta não foi aceita e que o documento nunca foi assinado.

Imagem: Internet
O conteúdo do contrato com o Banco Master se tornou público após o STF retirar o sigilo do inquérito que apura as relações entre a instituição financeira e o escritório de advocacia.
Com informações de Gazeta do Povo
