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PF cumpre 41 mandados em quatro estados por suspeita de irregularidades em “emendas PIX” do centrão

Brasília, 3 de julho de 2026 – A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Acesso Negado para apurar possível uso irregular de recursos de transferências especiais, as chamadas “emendas PIX”, apresentadas por parlamentares de partidos do centrão. Ao todo, 41 mandados de busca e apreensão são cumpridos nos estados de Roraima, Bahia, São Paulo e Tocantins.

Foco em duas cidades de Roraima

O inquérito concentra-se na destinação de verbas federais aos municípios de Iracema e São Luiz do Anauá, ambos em Roraima. Diferentemente das emendas tradicionais, as transferências especiais caem diretamente na conta das prefeituras, sem necessidade de convênios, o que, segundo órgãos de controle, reduz a transparência.

Alvos iniciais

Entre os investigados estão o ex-prefeito de São Luiz do Anauá, James Batista (Solidariedade-RR), cassado em 2023 por compra de votos, além de servidores municipais suspeitos de participação na gestão e na execução de contratos financiados pelas emendas.

Parlamentares autores das emendas

Embora não figurem como alvos nesta fase, os autores das emendas sob análise são:

  • Antônio Carlos Nicoletti (PL-RR), deputado federal;
  • Hiran Gonçalves (PP-RR), senador;
  • Telmário Mota (ex-PROS, hoje Solidariedade), ex-senador;
  • Jhonatan Pereira de Jesus (Republicanos), que deixou a Câmara em 2023 para assumir vaga no Tribunal de Contas da União.

Decisão do STF e possíveis crimes

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. São investigados indícios de crimes contra a administração pública, fraude em licitações, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro.

Origem da investigação

As apurações tiveram início após auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), motivadas por ação da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) que questiona a constitucionalidade das “emendas PIX”.

Irregularidades apontadas pela CGU

Relatório preliminar indica:

  • obras e serviços paralisados;
  • contratações não registradas no Portal Nacional de Contratações Públicas, em descumprimento à Lei de Diretrizes Orçamentárias;
  • ausência de relatórios de gestão no sistema Transferegov.br;
  • uso de mais de uma conta bancária para movimentação dos recursos, dificultando o rastreamento;
  • falta de informações sobre as emendas no Portal da Transparência municipal e e-mail legislativo não cadastrado na plataforma federal.

O Ministério Público Federal já monitorava desde 2024 a aplicação de verbas nessas duas cidades e havia recomendado a regularização da prestação de contas.

Até o fechamento desta reportagem, a Polícia Federal não divulgou detalhes sobre eventuais prisões ou valores suspeitos. A defesa dos citados ainda não se manifestou.

Com informações de Gazeta do Povo

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