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Sardinha, atum e outras espécies deixam litoral brasileiro por causa do aquecimento dos oceanos

A escalada nas temperaturas marinhas está alterando a dinâmica da pesca em todo o país. Segundo a Auditoria da Pesca 2024, divulgada pela organização Oceana Brasil, sardinha-verdadeira, atum e mais três espécies fundamentais para o consumo nacional estão se deslocando para águas mais frias e profundas, fora do alcance das frotas artesanais.

Calor excessivo nos mares

Os oceanos têm absorvido praticamente todo o excesso de calor gerado pelo efeito estufa, aponta o relatório. Esse processo provoca a expansão térmica da água, muda rotas de correntes e reduz a disponibilidade de nutrientes na superfície, cenário que força cardumes a percorrer distâncias maiores em busca de condições adequadas de alimentação e reprodução.

Consequências biológicas

Além da migração, o aquecimento causa hipóxia — queda na concentração de oxigênio —, comprometendo o metabolismo, o crescimento e a taxa reprodutiva dos peixes. O fenômeno também acelera o branqueamento de recifes, eleva a acidez do mar e provoca um descompasso entre o surgimento de larvas e a oferta de plâncton, etapa essencial do ciclo de vida marinho.

Efeito econômico imediato

Com estoques reduzidos próximo à costa, embarcações precisam navegar por períodos mais longos e gastar mais combustível para encontrar os cardumes. O aumento do custo operacional chega às gôndolas, tornando o pescado mais caro e pressionando a renda de famílias que dependem desse alimento. Turismo litorâneo e gastronomia regional também registram perdas pela menor abundância de vida marinha.

Sardinha, atum e outras espécies deixam litoral brasileiro por causa do aquecimento dos oceanos - Imagem do artigo original

Imagem: inteligência artificial

Risco de colapso e medidas sugeridas

Modelos climáticos indicam que, mantidas as emissões atuais de gases de efeito estufa, várias espécies podem entrar em colapso até o fim do século, afetando toda a cadeia trófica do Atlântico Sul. Pesquisadores recomendam a criação de zonas de proteção integral, investimentos em pesquisa oceânica, redução de poluentes plásticos e transição energética para fontes limpas, a fim de aumentar a resiliência dos ecossistemas.

Com informações de Olhar Digital

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