O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han sustenta que o “sujeito de desempenho” se transforma simultaneamente em explorador e explorado de si mesmo, mantendo o corpo e a mente em estado permanente de atividade até o colapso. A análise aparece em artigo publicado na plataforma SciELO, que investiga a chamada “sociedade do cansaço”.
Nesse modelo social, a cobrança principal não parte mais de chefes ou instituições, mas do próprio indivíduo, que acredita exercer liberdade enquanto aumenta as metas pessoais. O resultado é uma sensação contínua de fadiga física, mental e emocional que persiste mesmo após um fim de semana de descanso no sofá, segundo o estudo.
Alerta constante mesmo fora do trabalho
De acordo com o artigo, a superexigência mantém o cérebro em alerta, impedindo que o descanso cumpra sua função reparadora. Enquanto o corpo desacelera, a mente continua “ligada”, gerando a sensação de que ainda há algo a produzir.
Fatores que reforçam o ciclo de esgotamento
Diversos comportamentos cotidianos, considerados normais ou até positivos, alimentam esse círculo vicioso:
Imagem: produtividade cstante transforma indiv
- Excesso de redes sociais: eleva a ansiedade e favorece comparações constantes;
- Cultura da alta performance: inviabiliza pausas genuínas;
- Multitarefas ininterruptas: sobrecarregam a capacidade mental.
Quebrando a lógica de autoexploração
Para reduzir o impacto da “sociedade do cansaço”, o estudo recomenda limitar o tempo de tela, desacelerar a rotina e ressignificar o descanso como parte essencial da produtividade. Romper com a autocomparação e aceitar pausas reais são apontados como passos fundamentais para recuperar bem-estar a longo prazo.
Com informações de Olhar Digital
