Um levantamento da Universidade McMaster, no Canadá, sugere que as super-Terras — mundos rochosos com até dez vezes a massa do nosso planeta — superam os sub-Netunos em número na Via Láctea. A conclusão foi obtida a partir dos dados do Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito (TESS), da NASA, e publicada no periódico The Astronomical Journal.
De onde veio a mudança de perspectiva
Nas últimas décadas, estudos concentrados em estrelas semelhantes ao Sol apontavam a coexistência frequente de sub-Netunos, envoltos por espessas camadas gasosas, e de super-Terras. No entanto, esse recorte ignorava o fato de que astros do tipo solar representam minoria na galáxia. A maioria absoluta é composta pelas chamadas anãs vermelhas ou anãs M, menores, mais frias e menos brilhantes.
A baixa luminosidade dessas estrelas dificultava observações detalhadas, cenário que mudou com a operação do TESS. O satélite observa diferentes regiões do céu a cada 28 dias, completando um mapeamento quase total em aproximadamente dois anos. Com esse banco de dados, a equipe canadense pôde avaliar diretamente os planetas que orbitam anãs M de estágio intermediário a tardio.
Principais resultados
Segundo o artigo, sub-Netunos praticamente não aparecem ao redor dessas anãs vermelhas. Em seu lugar, dominam as super-Terras, indicando que os planetas gasosos comuns em sistemas parecidos com o Solar são exceção em ambientes menores e mais frios.
Explicações em debate
O processo de fotoevaporação — remoção da atmosfera planetária por radiação intensa de estrelas jovens — costuma ser citado para justificar a transição de sub-Netunos para núcleos rochosos. Contudo, mesmo levando em conta a alta atividade inicial das anãs M, o mecanismo não explica a quase ausência de mundos gasosos nesses sistemas.
Imagem: Gabriel Pérez Díaz SMM
Como alternativa, os autores propõem que a própria formação planetária em torno das anãs vermelhas favoreça corpos com grandes quantidades de água desde o início, em vez de atmosferas dominadas por hidrogênio e hélio. O estudo reforça a importância de ampliar a investigação para além de estrelas como o Sol a fim de compreender quais tipos de planetas predominam na galáxia.
Na prática, se um planeta aleatório da Via Láctea fosse escolhido hoje, a probabilidade maior seria de ele se encaixar na categoria de super-Terra.
Com informações de Olhar Digital
