Brasília – A convivência entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa seu momento mais tenso desde o início de 2026. A divulgação de possíveis ligações financeiras de integrantes da Corte com o Banco Master desencadeou trocas de acusações veladas, reuniões reservadas e questionamentos públicos sobre a imagem do tribunal.
Pagamentos e contratos na mira
Apurações em andamento citam o banqueiro Daniel Vorcaro como elo com dois magistrados. Relatórios apontam referência a R$ 35 milhões pagos a uma empresa da família do ministro Dias Toffoli. Já o ministro Alexandre de Moraes passou a ser cobrado a explicar um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Ambos negam qualquer irregularidade.
Reação dos colegas
A condução dos dois ministros levou parte do plenário a classificar suas decisões como “heterodoxas”. Em sessão reservada, Toffoli foi retirado da relatoria de um inquérito relacionado ao caso. Moraes, por sua vez, recebeu críticas após autorizar buscas e apreensões em endereços de servidores da Receita Federal sem comunicar previamente os demais integrantes do STF, o que gerou temor de coleta de dados sigilosos.
Proposta de código de ética
Para conter o desgaste, o presidente do tribunal, Edson Fachin, anunciou a elaboração de um código interno de conduta. A iniciativa, porém, encontra resistência de um grupo de ministros que, segundo interlocutores, utiliza a imprensa para questionar a liderança de Fachin, tratado ironicamente como “Frachin”.
Fim da antiga unidade
Entre 2019 e 2023, o STF manteve atuação coesa diante do que considerava ameaças externas. A condenação de Jair Bolsonaro e sua saída de cena política expuseram fissuras antes contidas. Diferentemente de disputas passadas, centradas em teses jurídicas, o atual conflito tem origem em suspeitas de escândalos financeiros e no receio de novos vazamentos.
Imagem: Victor Pite
Percepção pública
A turbulência interna repercute fora dos muros da Corte. Pesquisa recente aponta que 82 % dos brasileiros defendem a adoção de regras de ética mais rígidas para os ministros. O resultado reforça a pressão por transparência e pelo resgate da credibilidade do Supremo.
O desfecho das investigações e a adoção — ou não — do código de ética deverão indicar se o tribunal conseguirá restabelecer a confiança entre seus membros e perante a sociedade.
Com informações de Gazeta do Povo
