A Polícia Federal (PF) abriu investigação para saber se Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e dois aliados próximos influenciaram um acordo entre a Petrobras e a indústria de fertilizantes Unigel. O negócio, assinado em dezembro de 2023 e encerrado seis meses depois, poderia causar um prejuízo estimado em R$ 487 milhões à estatal, segundo apontamentos internos da companhia e do Tribunal de Contas da União (TCU).
Como funcionava o contrato
O acordo era no modelo “tolling”. Nele, a Petrobras forneceria gás natural às fábricas da Unigel na Bahia e em Sergipe, que devolveriam fertilizantes prontos para venda. Análises técnicas indicaram que, diante do preço elevado do gás e da queda na cotação dos fertilizantes, a estatal assumiria custos altos sem retorno garantido, praticamente financiando as operações da empresa privada.
Alvos da investigação
Além de Lulinha, também são citados a empresária Roberta Luchsinger e o assessor presidencial Marcelo Câmara, o “Marcola”. A PF apura se o trio atuou nos bastidores para que o contrato fosse firmado, favorecendo a Unigel.
Posicionamento das defesas
Em nota, a defesa de Lulinha classificou como “vazamentos criminosos e seletivos” as informações sobre a investigação e disse que a divulgação de dados sigilosos prejudica o direito de defesa e o processo eleitoral. Roberta Luchsinger adotou tom semelhante, chamando os vazamentos de ilegais. Já os advogados de Marcola negaram qualquer intermediação irregular e afirmaram que ele apenas coordenou agendas institucionais da Presidência.
Situação do contrato
A Petrobras informou que o acordo perdeu validade em junho de 2024 por não atender às condições previstas. A companhia ressaltou ter seguido normas de governança e conduzido as negociações por meio de comissões técnicas dedicadas aos interesses da empresa. Hoje, as fábricas foram retomadas pela estatal, que contratou outro prestador de serviços.

Imagem: Internet
Palácio do Planalto
A Presidência da República declarou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou do processo nem recebeu pedidos sobre o tema.
As investigações seguem em andamento na Polícia Federal.
Com informações de Gazeta do Povo
