A Polícia Federal decidiu ouvir Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, somente depois do segundo turno das eleições de 2026. A corporação alega que a perícia no celular da lobista Roberta Luchsinger, apreendido em dezembro de 2025, é extensa e exige mais tempo de análise. A medida também busca evitar que um eventual fato novo interfira no processo eleitoral. Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, permanece na Espanha.
Celular apreendido na Operação Sem Desconto
O telefone de Roberta foi recolhido durante a Operação Sem Desconto, que investiga fraudes bilionárias contra o INSS. Embora Lulinha não seja investigado nesse inquérito, peritos encontraram mensagens em que a lobista o chama de “sócio” e trata da intermediação de negócios com empresários interessados em contratos públicos. O material sugere uma rede de influência que envolveria pagamentos a pessoas do entorno presidencial e a servidores federais. O grande volume de dados sustenta, segundo a PF, o ritmo atual das apurações.
Três inquéritos sigilosos no STF
O nome de Fábio Luís aparece em três investigações que tramitam sob sigilo no Supremo Tribunal Federal:
- Dois inquéritos estão sob relatoria do ministro André Mendonça – temporariamente remetidos a Edson Fachin. Um aborda tentativas de viabilizar contratos de cannabis medicinal no Ministério da Saúde; o outro apura supostos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa em contratos de tecnologia.
- O terceiro, conduzido pelo ministro Flávio Dino, averigua a atuação de Lulinha em contratos com a Dataprev e apura possível vazamento de informações sigilosas das próprias investigações.
Pagamentos a auxiliares do Planalto
Mensagens periciadas indicam repasses e presentes a colaboradores próximos do presidente:
- Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência, teria recebido cerca de R$ 250 mil de Roberta. Ele afirma que o valor foi um empréstimo já quitado.
- Swedenberger Barbosa, o Berger, atual chefe de gabinete adjunto, teria ganhado um relógio e uma pintura.
- Servidores do Ministério do Desenvolvimento Social teriam recebido depósitos antes de uma empresa representada por Roberta fechar contratos de R$ 50 milhões com a pasta.
Posicionamento dos envolvidos
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade, sustenta que ele atua exclusivamente na iniciativa privada e contesta a autenticidade das mensagens, classificando-as como vazamentos ilegais. Os advogados de Roberta também criticam a divulgação de conteúdo protegido por sigilo e afirmam que a atuação dela se restringia a assessoria legítima.

Imagem: Internet
O presidente Lula mantém distância do caso, dizendo que o filho responde por si. Ele chamou Roberta de “pilantra” e declarou não conhecê-la, embora fotografias de ambos em 2022 circulem publicamente; o Planalto atribui as imagens ao cotidiano de uma figura pública.
Com informações de Gazeta do Povo
