A Polícia Federal levou cerca de meia hora para concluir, na noite de terça-feira (30/12/2025), a acareação entre o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
O procedimento teve início por volta das 21h na sede da PF, após divergências identificadas nos depoimentos prestados pelos dois envolvidos ao longo do dia. O confronto de versões foi conduzido pela delegada Janaína Palazzo, responsável pelo inquérito, e acompanhado pelo juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal, Carlos Vieira Von Adamek.
Mais cedo, Vorcaro foi ouvido por aproximadamente três horas. Na sequência, foi a vez de Costa prestar esclarecimentos. O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, prestou depoimento posteriormente, mas acabou dispensado da acareação. De acordo com apuração do jornal O Estado de S. Paulo, Santos forneceu informações consideradas “valiosas” pelos investigadores e não figura como investigado.
A oitiva coletiva ocorreu após mudança de orientação do ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF. Inicialmente, o magistrado determinou a realização de acareação sem necessidade de depoimentos prévios, mas, na segunda-feira (29), revogou a ordem e delegou à PF a decisão sobre o confronto.
Tentativa de venda e liquidação do banco
Os depoimentos estão ligados à tentativa de venda do Banco Master ao BRB, anunciada em março e vetada pelo Banco Central em setembro. Em 18 de novembro, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Master, apontando suspeitas de operações fraudulentas que somam cerca de R$ 12 bilhões.
Imagem: Gurometal
Vorcaro chegou a ficar preso preventivamente de 17 a 29 de novembro, sendo liberado com uso de tornozeleira eletrônica e retenção do passaporte. O caso, que tramitava na Justiça Federal, foi remetido ao STF depois que investigadores encontraram documento mencionando o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). Toffoli assumiu a relatoria e impôs grau elevado de sigilo. A liquidação também é analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Com informações de Gazeta do Povo
