A Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou uma nova variante recombinante da mpox em dois pacientes, um no Reino Unido e outro na Índia. A descoberta foi feita após análises genômicas completas, divulgadas nesta terça-feira (20), e indica que o vírus pode estar circulando de forma mais ampla do que apontam os registros atuais. A avaliação global de risco, porém, permanece inalterada.
Dois casos e mesma linhagem
Os pacientes apresentaram sintomas já conhecidos da mpox, sem evolução para quadros graves. O rastreamento de contatos não revelou infecções adicionais ligadas a esses episódios.
Sequenciamento integral mostrou que ambos foram infectados por uma cepa resultante de recombinação entre os clados Ib e IIb do vírus. A similaridade genética entre as amostras ultrapassa 99,9%, sugerindo origem evolutiva comum.
Detalhes dos registros
Reino Unido: o primeiro caso foi confirmado a partir de amostra colhida em outubro de 2025, de um viajante que retornara de um país da região Ásia-Pacífico. Testes iniciais classificaram o vírus como clado Ib; análises posteriores detectaram segmentos compatíveis com os clados Ib e IIb.
Índia: o segundo episódio foi notificado em janeiro de 2026. O paciente havia apresentado sintomas em setembro de 2025, enquanto trabalhava na Península Arábica. Inicialmente classificado como clado II, o vírus foi reavaliado e reconhecido como a mesma variante recombinante observada no Reino Unido.
Situação no Brasil
No Brasil, o estado de São Paulo registra 44 casos confirmados de mpox em 2026 até esta sexta-feira (20). Em 2025 foram 422 ocorrências, somando 6.048 infecções desde 2022, segundo o Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (Nies).
Transmissão, sintomas e alerta laboratorial
A mpox pertence ao gênero Orthopoxvirus, o mesmo da varíola humana. A propagação ocorre principalmente por contato físico próximo, inclusive sexual, além de objetos contaminados, gotículas respiratórias em situações específicas e de mãe para filho.
Imagem: airde
Os sinais mais comuns incluem febre, aumento dos linfonodos e lesões cutâneas ou em mucosas. De acordo com especialistas, a maioria dos casos evolui de forma benigna; mortes têm sido registradas sobretudo em pessoas com comorbidades, como HIV.
A OMS adverte que testes de PCR projetados para diferenciar clados podem não detectar variantes recombinantes, tornando o sequenciamento genômico completo essencial para o diagnóstico preciso.
Orientações da OMS
A organização mantém o risco global classificado como moderado para homens que fazem sexo com homens com parceiros novos ou múltiplos e para profissionais do sexo, e baixo para a população em geral sem fatores de risco específicos.
Entre as recomendações estão: vigilância ativa, ampliação da capacidade de diagnóstico e sequenciamento, notificação rápida de casos suspeitos, reforço da vacinação em grupos prioritários e integração das ações de mpox com programas de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis. Até o momento, não há indicação de restrições a viagens ou comércio envolvendo os países onde a nova variante foi detectada.
Com informações de Olhar Digital
