O banqueiro Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, no aeroporto de Guarulhos (SP), momentos depois de anunciar a venda do Banco Master. Documentos da investigação traçam em detalhes as últimas horas antes da detenção.
Agenda intensa começou ao amanhecer
Às 7h19, Vorcaro comunicou a antecipação da venda do Banco Master ao grupo Fictor. No decorrer do dia, participou de reunião virtual com diretores do Banco Central (BC) e tentou negociar a venda de uma cobertura de luxo em São Paulo por R$ 60 milhões. O fato relevante sobre a transferência de controle do banco foi divulgado ao mercado no fim da tarde.
Suspeita de troca de mensagens com Alexandre de Moraes
A Polícia Federal apura indícios de que Vorcaro teria conversado via WhatsApp com o ministro Alexandre de Moraes. Segundo o inquérito, o banqueiro escrevia textos, fotografava e enviava as imagens com visualização única, na tentativa de não deixar registros. Moraes nega qualquer contato e classifica as informações como “ilações mentirosas”. Peritos, porém, localizaram rascunhos das supostas mensagens no aparelho de Vorcaro.
Defesa agiu minutos após a ordem de prisão
Dezoito minutos depois de o juiz federal Ricardo Soares Leite decretar a prisão preventiva, e antes da notificação oficial, advogados do banqueiro protocolaram petição para suspender medidas cautelares. A Polícia Federal ainda apura suspeita de pagamento de R$ 2 milhões a um site de notícias para publicar informações sigilosas e, assim, criar obstáculo à detenção.
Servidores do Banco Central afastados
Dois funcionários do BC foram retirados de suas funções por suposto envolvimento com Vorcaro. A corporação investiga se eles ajudaram o banqueiro a contornar a fiscalização, fornecendo dados internos e auxiliando na redação de pedidos formais. Menos de 24 horas depois da reunião virtual, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.
Imagem: Isaac Ftana
Prisão, liberdade provisória e nova ordem de captura
Detido antes de embarcar em um jato particular para Dubai, Vorcaro passou 11 dias no cárcere. Conseguiu liberdade mediante decisão de uma desembargadora federal, sob condições de usar tornozeleira eletrônica e entregar o passaporte. Na semana passada, o ministro André Mendonça, novo relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), expediu nova ordem de prisão com base em dados extraídos dos celulares apreendidos.
As investigações continuam sob sigilo judicial.
Com informações de Gazeta do Povo
