A Polícia Federal cumpriu na terça-feira, 10 de março de 2026, mandado de busca e apreensão na residência do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, conhecido como Luís Pablo. A medida foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Durante a operação, os agentes recolheram computadores e telefones celulares utilizados no trabalho do comunicador. O procedimento tramita em sigilo.
Investigação por perseguição
De acordo com o STF, o inquérito apura suposto crime de stalking contra o ministro Flávio Dino. Conforme nota da Corte, a investigação foi solicitada pela PF em 23 de dezembro de 2025, inicialmente distribuída ao ministro Cristiano Zanin e, em fevereiro, redistribuída para Moraes. O tribunal afirma que o caso não integra o inquérito das fake news nem trata de crimes contra a honra ou liberdade de expressão.
Em nota posterior, o STF informou que o Gabinete de Segurança Institucional de Dino identificou monitoramento da rotina do magistrado. Teriam sido expostos dados como placas de veículos, quantidade e nomes de agentes de segurança, o que motivou o pedido de apuração.
Reportagem sobre uso de veículo oficial
Em novembro de 2025, Luís Pablo publicou matéria em que apontava o uso de uma SUV Toyota SW4 blindada, pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) e bancada pelo Fundo Especial de Segurança dos Magistrados (FUNSEG-JE), por familiares de Dino para fins pessoais. Segundo o texto, até o abastecimento do automóvel seria pago com recursos do tribunal. Em março deste ano, o jornalista divulgou nova reportagem afirmando que, após a denúncia, o STF formalizou junto ao TJMA solicitação para disponibilizar um veículo ao ministro.
Posicionamentos
O jornalista declarou, por escrito, que aguarda acesso integral aos autos para avaliar a decisão, reafirmando compromisso com a liberdade de imprensa e o direito à informação.
Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Maranhão (OAB-MA) manifestou preocupação com a apreensão de equipamentos jornalísticos. A entidade lembrou que a Constituição garante sigilo de fonte e defendeu que medidas dessa natureza sejam adotadas com cautela e respeito ao devido processo legal.
A Polícia Federal não se pronunciou até o fechamento desta reportagem.
Com informações de Gazeta do Povo
